Distrito Federal

A conta chegou: apelo de Celina Leão expõe fragilidade do BRB e dependência política da União

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Governadora recorre ao governo federal em meio a rombo bilionário e levanta suspeitas sobre uso político da crise

Em meio a uma crise financeira que já não pode mais ser contornada com discursos técnicos, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), protagoniza um movimento que escancara a fragilidade estrutural do Banco de Brasília (BRB) e evidencia a crescente dependência política do GDF em relação à União. O pedido de socorro ao governo federal, antes improvável no campo ideológico, agora surge como única alternativa diante de um cenário que combina má gestão, risco sistêmico e cálculo eleitoral.

A situação do BRB é considerada crítica. O atraso na divulgação das demonstrações financeiras, inicialmente previstas para 31 de março, acendeu um alerta no mercado e nos órgãos de controle. A justificativa oficial, a realização de uma auditoria forense para mensurar prejuízos envolvendo operações com ativos do Banco Master, apenas reforça a percepção de que o rombo pode ser ainda maior do que o inicialmente estimado.

Nos bastidores, fala-se em uma necessidade urgente de capitalização da ordem de R$ 6,6 bilhões, sendo R$ 4 bilhões buscados junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação é vista como uma tentativa de evitar o colapso dos indicadores prudenciais do banco, como o Índice de Basileia, essencial para garantir a segurança dos depósitos e a continuidade das operações.

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Diante desse quadro, o GDF partiu para uma articulação direta com o governo federal. A interlocução com o Ministério da Fazenda e a tentativa de envolver a Caixa Econômica Federal no socorro ao BRB revelam que as soluções locais se esgotaram. A própria Lei Distrital nº 7.845/2026, apresentada como resposta institucional à crise, mostra-se insuficiente para conter a deterioração financeira da principal instituição bancária do DF.

O movimento, no entanto, não ocorre sem contrapartidas. A adesão do Distrito Federal ao pacto nacional para conter a alta do diesel, pauta inicialmente rejeitada pelo governo local, levanta questionamentos sobre uma possível barganha política. A mudança de postura sugere que o apoio federal ao BRB pode estar condicionado a alinhamentos estratégicos com o Palácio do Planalto.

Esse reposicionamento ganha contornos ainda mais relevantes quando se observa o calendário eleitoral. Com pretensões de disputar a reeleição em 2026, Celina Leão parece adotar uma estratégia pragmática: garantir a sobrevivência do BRB, ainda que ao custo de concessões políticas, pode ser mais vantajoso do que sustentar um discurso de independência que já não se sustenta diante da crise.

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Outro episódio que ilustra o ambiente de incerteza foi a retirada da área da Serrinha do Paranoá do plano de capitalização do banco. Embora apresentada como uma decisão de cunho ambiental, a medida também pode ser interpretada como uma tentativa de evitar novos questionamentos judiciais que agravariam a já abalada credibilidade da instituição.

No fim, o discurso de que “Brasília está acima de ideologias” soa menos como um princípio e mais como uma necessidade imposta pela realidade. O apelo ao governo federal, nesse contexto, deixa de ser apenas uma medida administrativa e passa a representar a admissão de que o Distrito Federal perdeu, ao menos temporariamente, a capacidade de resolver sozinho uma crise que ajudou a construir.

A dúvida que permanece é se o socorro virá a tempo e, sobretudo, a que custo político e institucional.

 

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