Filiação de Arruda ao PSD reorganiza a direita no DF, provoca rachas no PL e enfraquece projetos eleitorais de Celina Leão e Ibaneis Rocha para 2026
A filiação do ex-governador José Roberto Arruda ao PSD, marcada para o dia 15 de dezembro, deve provocar um abalo sísmico no cenário político do Distrito Federal e criar novas dificuldades para as campanhas da vice-governadora Celina Leão ao Palácio do Buriti e do governador Ibaneis Rocha ao Senado. O evento contará com a presença do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e outras lideranças nacionais da legenda, que pretendem consolidar Arruda como pré-candidato ao Governo do DF nas eleições de 2026.
A movimentação amplia o protagonismo do PSD e obriga partidos de direita — especialmente o PL, principal base de Celina e Ibaneis — a reavaliarem suas estratégias diante da força política que Arruda ainda exerce na capital federal, mesmo enfrentando questionamentos sobre sua elegibilidade.
Rachaduras no PL e perda de hegemonia de Celina Leão
A entrada de Arruda no jogo eleitoral abre fissuras profundas no PL, legenda que vinha estruturando a candidatura de Celina Leão com apoio do Palácio do Buriti e de setores do bolsonarismo.
O senador Izalci Lucas, embora publicamente interessado em disputar o governo pelo próprio PL, já declarou apoio a Arruda, contrariando a direção do partido. O deputado Alberto Fraga também pressiona a legenda para liberá-lo a apoiar o ex-governador movimento que, se negado, pode resultar em saída da sigla.
Essas dissidências fragilizam a capacidade de Celina de manter uma coalizão coesa. A vice-governadora, que era tratada como nome natural da direita para suceder Ibaneis, agora enfrenta a concorrência interna de um adversário com forte recall eleitoral e histórico de mobilização das bases conservadoras.
Outro ponto de incerteza é o papel de Michelle Bolsonaro, que pode concorrer ao Senado ou assumir vaga na chapa presidencial. Caso dispute o Senado, deve dividir espaço com Celina nas articulações com o eleitorado bolsonarista, setor hoje cada vez mais atraído pela narrativa de retorno de Arruda.
Pressão sobre o eleitorado conservador
Arruda tende a disputar com Ibaneis parte do mesmo eleitorado: conservadores, religiosos, servidores públicos e setores empresariais. Caso consolide apoio de figuras como Izalci e Fraga, cria um ambiente menos favorável ao atual governador, que pode perder densidade eleitoral em segmentos que via como garantidos.
Risco de esvaziamento da base
A migração de parlamentares e lideranças regionais para o PSD, estimulada pela chegada de Arruda, pode reduzir o número de aliados dispostos a defender publicamente a candidatura de Ibaneis ao Senado. Nos bastidores, a avaliação é que o governador terá mais dificuldade para compor palanques caso o campo conservador permaneça fraturado até a janela partidária.
A grande incógnita segue sendo a elegibilidade de Arruda. Condenado por improbidade em 2024, o ex-governador permanece inelegível até 2032. No entanto, mudanças recentes na Lei da Ficha Limpa, com a edição da LC 219/2025, reacenderam debates jurídicos sobre o início da contagem do prazo de inelegibilidade.
Para especialistas, como a advogada Emanuela de Araújo Pereira e o jurista Renato Ribeiro de Almeida, o caso é juridicamente “delicado e aberto a interpretações”. A confirmação da candidatura só ocorrerá no momento do registro, em agosto de 2026, quando o TRE-DF e o TSE deverão se posicionar sobre o enquadramento do ex-governador à nova legislação.
O efeito político, porém, já se instalou: mesmo sem garantia de estar na urna, Arruda reorganiza apoios, atrai dissidentes e obriga adversários a reverem estratégias. A simples possibilidade de elegibilidade já é suficiente para alterar a correlação de forças no DF.






















