Distrito Federal

Assistência Social em crise: greve no DF expõe desigualdade salarial e déficit histórico de servidores

Foto: Kennedy Cruz/Brasil de Fato

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Greve entra na terceira semana sem resposta do GDF e servidores denunciam distorções salariais e sobrecarga na assistência social

Os servidores da assistência social do Distrito Federal decidiram manter a greve da categoria, ampliando a pressão sobre o Governo do Distrito Federal em meio a um impasse que já dura mais de duas semanas. A paralisação, iniciada em 10 de março, afeta diretamente serviços essenciais prestados por profissionais da Secretaria de Desenvolvimento Social, da Secretaria de Justiça e Cidadania do DF e da Secretaria da Mulher do Distrito Federal.

A decisão foi tomada em assembleia nesta quinta-feira (26/03) e reforça o cenário de tensão entre a categoria e o governo, marcado pela ausência de respostas concretas às reivindicações apresentadas pelo movimento.

Reestruturação de gratificações é ponto central do impasse

O principal foco da greve é a cobrança por mudanças na estrutura remuneratória da carreira. O Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do DF defende a substituição da atual Gratificação de Titulação (GTIT) por uma nova Gratificação de Desempenho da Assistência Social (GHDAS).

Segundo a entidade, o modelo vigente privilegia a formação acadêmica, criando distorções internas. A proposta do sindicato é que o pagamento passe a considerar o desempenho e a complexidade das atividades exercidas, muitas delas realizadas em contextos de alta vulnerabilidade social e, em alguns casos, até de risco.

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A categoria também denuncia desigualdade em relação a outras áreas do serviço público. Servidores com pós-graduação que atuam diretamente com população em situação de rua, por exemplo, relatam receber menos do que profissionais com o mesmo nível de qualificação em setores administrativos considerados menos expostos.

Déficit de pessoal e pressão por concurso público

Outro eixo central da mobilização é a realização de um novo concurso público. Apesar da autorização para certame previsto para 2026, os servidores cobram celeridade na contratação da banca organizadora.

A previsão é de 1.197 vagas para cargos de níveis médio e superior, número considerado essencial pelo sindicato para recompor o quadro funcional, atualmente sobrecarregado.

A falta de pessoal é apontada como um dos fatores que agravam as condições de trabalho e comprometem a qualidade do atendimento à população.

Serviços impactados e funcionamento parcial

Mesmo com a greve, os serviços considerados essenciais seguem operando com escala mínima de 30%, conforme determina a legislação. Unidades de atendimento 24 horas continuam funcionando, mas com capacidade reduzida.

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Na prática, isso tem provocado lentidão no atendimento e limitações no acesso a políticas públicas voltadas à população mais vulnerável do DF.

Negociações travadas e cobrança por diálogo

Nos últimos dias, a mobilização ganhou as ruas, com servidores realizando atos e uma passeata até o Palácio do Buriti. De acordo com o presidente do Sindsasc, Clayton de Souza Avelar, houve um contato inicial por parte da equipe da vice-governadora, solicitando o envio formal das demandas.

Apesar disso, até o momento, não houve manifestação oficial do governo sobre a continuidade da greve nem apresentação de proposta concreta.

O sindicato afirma que o movimento só será encerrado mediante avanço efetivo nas negociações. A categoria cobra abertura de diálogo e uma resposta institucional que reconheça, segundo os servidores, a importância estratégica da assistência social no atendimento à população do Distrito Federal.

 

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