Transações milionárias com fundos sob suspeita ampliam a pressão por transparência sobre Ibaneis Rocha
Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou operações financeiras que somam quase R$ 43 milhões entre o escritório particular de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e um fundo de investimento ligado à Reag Investimentos. A descoberta colocou o chefe do Executivo local no centro de novas investigações e gerou forte reação da oposição na Câmara Legislativa do DF.
Detalhes das movimentações financeiras
As transações ocorreram em novembro de 2023, pouco antes da deflagração da Operação Compliance Zero e da liquidação do Banco Master e da Reag. Segundo os documentos, foram realizados dois repasses: um de R$ 32.541.248 e outro de R$ 10.394.973. O destinatário dos valores foi o Laguz I Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados, que na época era administrado pela Reag e hoje está sob gestão da Planner Corretora de Valores.
Além dessas operações, o caso ganha contornos mais complexos com a revelação de um contrato firmado em maio de 2024. Nesse acordo, o escritório de Ibaneis e outra firma de advocacia cederam R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios de uma ação do Sindilegis ao fundo Pedra Azul FIDC (antigo Reag Legal Claims). Essa operação consistiu em uma antecipação de recebíveis, na qual os direitos de receber os honorários foram vendidos ao fundo por um valor menor em troca de pagamento imediato.
Conexões com o Banco Master e o PCC
A repercussão do caso é ampliada pelo cenário de crise no sistema financeiro local. Nos meses seguintes aos repasses de 2023, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master e tentou adquirir a instituição, mas a manobra foi barrada pelo Banco Central.
A Reag Investimentos, pivô das transações, está sob investigação por supostas fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação de riscos. Além da Operação Compliance Zero, a empresa é alvo da Operação Carbono Oculto, que apura o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro atribuída à organização criminosa PCC.
Reações políticas e pedidos de investigação
Diante dos fatos, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL) apresentou uma representação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O parlamentar pede a investigação de Ibaneis Rocha por improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e lesão ao erário, além do bloqueio de bens do governador para assegurar a reparação de eventuais danos ao patrimônio público. Para a oposição, a relação entre o escritório e os fundos sob suspeita levanta dúvidas sobre o possível uso de informação privilegiada.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa de Ibaneis Rocha informou que o governador está afastado das atividades do escritório desde 2018, quando assumiu o cargo público, e negou qualquer participação dele nas negociações mencionadas. O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria afirmou que o contrato de cessão de honorários foi um negócio jurídico regular e que recebeu apenas R$ 4 milhões dos R$ 38 milhões cedidos. A Reag Investimentos e o BRB declararam que não comentariam o caso.




















