Gestão Ibaneis “lava as mãos” enquanto trabalhadores ficam sem sustento e o atendimento no HRC sofre atrasos
Enquanto o Governo do Distrito Federal (GDF) tenta manter uma fachada de normalidade, a realidade nos hospitais públicos revela um cenário de precarização e falta de fiscalização. Na última terça-feira (10/3), a cozinha do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) tornou-se o mais novo palco dessa crise, com funcionários interrompendo suas atividades em protesto contra o atraso no pagamento de salários e do vale-alimentação.
A paralisação envolveu copeiras, auxiliares de cozinha, garçons, confeiteiros e cozinheiras, profissionais essenciais que garantem a nutrição de pacientes e servidores. O serviço é gerido pela empresa terceirizada MC Alimentação e Serviços LTDA, que mantém contrato com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
O Jogo de Empurra da Gestão Ibaneis
Diante do caos, a postura da SES-DF segue um padrão de transferir responsabilidades. Em nota, a pasta limitou-se a afirmar que os repasses para a empresa estão em dia e que o calote nos trabalhadores seria uma “questão interna” da terceirizada. Essa justificativa ignora a responsabilidade subsidiária e o dever de fiscalização que o Estado deve exercer sobre seus contratos para evitar que o serviço público seja prejudicado.
Embora o governo minimize o impacto, classificando a greve como “pontual”, a própria secretaria admitiu que houve atrasos na distribuição de almoço e jantar em diversos setores do hospital. Para quem aguarda uma refeição em um leito hospitalar, “30 minutos de atraso” não é um detalhe irrelevante, mas sim reflexo de uma gestão que falha em garantir o básico.
Um Sintoma de uma Saúde em Colapso
O episódio no HRC não é um fato isolado, mas parte de um efeito dominó que atinge a rede pública de saúde sob a atual gestão. Recentemente, outros setores vitais também sofreram com a falta de pagamento e condições de trabalho:
- UPAs em crise: Recepcionistas de cinco Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também cruzaram os braços recentemente por atrasos salariais, impactando diretamente o acolhimento aos pacientes.
- Assistência Social e Educação: O descontentamento é generalizado, com greves anunciadas por servidores da assistência social e paralisações históricas de professores que exigem melhores condições.
A insistência do GDF em um modelo de terceirização sem o devido controle permite que empresas como a MC Alimentação deixem trabalhadores sem o sustento básico enquanto o governo “lava as mãos”. Enquanto a Secretaria de Saúde alega que a situação não gerou grande impacto, os trabalhadores continuam com os pratos vazios em casa, e a população de Ceilândia segue à mercê de uma gestão que parece priorizar contratos em vez de pessoas.
























