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Crise na FIEMS: diretoria é cercada por investigações e cobranças por transparência

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Fundada em 1979, a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) surgiu com a missão de fortalecer o setor industrial, promover inovação, qualificação profissional e melhorar o ambiente de negócios no Estado. No entanto, nos últimos anos, a entidade tem sido associada a uma sequência de investigações, polêmicas e questionamentos que colocam em xeque sua credibilidade institucional.

Entre os episódios mais emblemáticos está a Operação Fantoche, deflagrada pela Polícia Federal em 2019. A investigação apurou suspeitas de fraudes em licitações, associação criminosa, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do Sistema S. Na ocasião, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens de 24 pessoas e instituições, incluindo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, até o limite de R$ 400 milhões valor estimado do suposto desvio investigado. Um dos bens bloqueados foi um imóvel localizado em Varginha (MG).

Outro caso que amplia o desgaste da entidade envolve o diretor de Relações Internacionais do Sistema Fiems, Aurélio Rolim Rocha, investigado pelo Ministério Público por suposto desmatamento em uma fazenda no município de Nioaque. A apuração trata da supressão de aproximadamente 6,5 hectares de vegetação nativa, o equivalente a quase sete campos de futebol.

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As críticas à atual diretoria também recaem sobre relações empresariais e contratos com o poder público. O primeiro vice-presidente da entidade é apontado por manter contratos milionários com administrações públicas, situação que levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e influência institucional.

Além disso, o terceiro vice-presidente regional da Fiems, Régis Luís Comarella, é citado em controvérsias envolvendo o frigorífico Boibras. A empresa entrou em recuperação judicial após dívidas superiores a R$ 50 milhões e voltou a ser alvo de reclamações por inadimplência dentro do próprio processo. Credores alegam atrasos superiores a 90 dias no cumprimento do plano aprovado judicialmente, incluindo débitos que somam centenas de milhares de reais.

Outro ponto sensível envolve investigação do Ministério Público sobre contratos firmados pela Fiems que somam cerca de R$ 1,5 milhão com empresas que possuem o mesmo quadro societário. Os acordos foram celebrados entre 2022 e 2023 e levantaram suspeitas de possíveis irregularidades na contratação.

Diante desse conjunto de episódios, cresce a pressão por maior transparência na gestão da entidade. Com orçamento milionário e papel estratégico na economia estadual, a Fiems enfrenta questionamentos sobre governança, controle interno e critérios de contratação.

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Especialistas e representantes do setor produtivo defendem que a federação precisa retomar o foco em sua missão original, priorizando o fortalecimento da indústria e a representatividade institucional, evitando que investigações e escândalos continuem comprometendo sua imagem.

Enquanto isso, o cenário segue sob atenção de órgãos de controle e fiscalização. Ministério Público Federal, Controladoria-Geral da União e Polícia Federal são apontados como instâncias que podem aprofundar as apurações e esclarecer os fatos.

A expectativa é de que a entidade apresente respostas claras à sociedade e ao setor industrial, sob pena de ampliar a percepção de declínio institucional e perda de credibilidade.

 

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