O reajuste aprovado pela Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Públicos Estaduais de Mato Grosso do Sul) para a contribuição dos cônjuges dos beneficiários provocou uma onda de indignação entre servidores públicos estaduais. A partir de junho, o valor mensal pago pelos dependentes salta de R$ 35 para R$ 450 — um aumento de impressionantes 1.185%.
A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração da entidade sem passar por assembleia geral dos beneficiários, o que ampliou ainda mais as críticas sobre a falta de transparência e diálogo com os servidores que sustentam financeiramente o plano.
A reação do funcionalismo foi imediata. Grupos de servidores já organizam requerimentos e mobilizações contra o reajuste, considerado “abusivo”, “desproporcional” e “inaceitável” diante da realidade salarial enfrentada pelo funcionalismo estadual.
O presidente da Abecams (Associação dos Beneficiários da Cassems), Jeder Fabiano, classificou a medida como um ataque direto ao orçamento dos servidores.
“A atual situação financeira do funcionalismo público, alinhada à perda do poder de compra e aos sucessivos aumentos impostos pela Cassems, torna esse reajuste completamente incompatível com a realidade dos beneficiários”, criticou.
Segundo ele, além da nova cobrança, a entidade vem acumulando aumentos sucessivos em exames, procedimentos e taxas internas nos últimos anos, sem consultar os usuários do plano.
“É uma sequência de medidas arbitrárias que culmina agora nessa cobrança exorbitante. Isso demonstra uma administração temerária, que joga a conta da crise nas costas dos servidores”, afirmou.
Nos bastidores, sindicalistas admitem que o reajuste gerou forte desgaste político dentro do funcionalismo. Apesar disso, dirigentes ligados à estrutura sindical acabaram respaldando a decisão da Cassems sob o argumento de que o plano enfrenta desequilíbrio financeiro.
Em vídeo que circula nas redes sociais, a presidente da Feserp, Lilian Fernandes, lamenta o impacto do reajuste, mas afirma que a medida seria necessária para evitar um colapso financeiro da instituição.
Outro sindicalista ouvido sob condição de anonimato revelou que estudos internos apontam que o custo real por usuário estaria entre R$ 700 e R$ 800 mensais, e que o novo valor de R$ 450 ainda estaria abaixo do necessário para equilibrar as contas da operadora.
A justificativa, no entanto, não convenceu grande parte dos servidores, que questionam como a entidade chegou a uma situação financeira tão delicada sem que houvesse ampla discussão pública ou prestação detalhada das contas.
Para muitos beneficiários, a medida escancara uma crise de gestão acumulada ao longo dos anos, agravada pela falta de reajuste salarial do funcionalismo e pela crescente transferência de custos para os usuários.
Conforme comunicado oficial da entidade, os percentuais pagos pelos servidores titulares permanecem em 6% para quem não possui dependentes; 7% para um dependente; 7,25% para dois dependentes; e 7,50% para três ou mais dependentes.
A expectativa da Cassems é arrecadar cerca de R$ 17,3 milhões mensais com a nova cobrança dos cônjuges.
Enquanto a direção da entidade defende o aumento como inevitável, servidores enxergam a medida como mais um duro golpe no orçamento familiar e cobram transparência, auditoria nas contas e participação efetiva dos beneficiários nas decisões que impactam diretamente milhares de famílias sul-mato-grossenses.






















