Distrito Federal

Crise no IGESDF escancara caos na gestão da saúde pública do DF e revolta trabalhadores

SindSaúde

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SindSaúde denuncia atrasos salariais, calote em direitos trabalhistas e uso irresponsável de recursos públicos; caso já foi levado ao Ministério Público do Trabalho

A saúde pública do Distrito Federal enfrenta mais um capítulo alarmante de desorganização administrativa. Desta vez, as denúncias recaem sobre o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF), responsável por administrar hospitais e unidades de saúde que atendem diariamente milhares de pessoas. Segundo o SindSaúde, o instituto acumula práticas que revelam negligência institucional, desrespeito à legislação trabalhista e incapacidade de gerir recursos públicos.

De acordo com o sindicato, trabalhadores da linha de frente convivem com atrasos recorrentes de salários, não pagamento de férias, ausência de depósitos do FGTS e remunerações incompatíveis com as funções exercidas. As denúncias apontam violações diretas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e à Lei do FGTS, configurando um cenário de insegurança financeira, adoecimento e desvalorização profissional.

Enquanto técnicos, enfermeiros e demais profissionais enfrentam dificuldades para honrar compromissos básicos, o SindSaúde denuncia que cargos de chefia seguem recebendo salários elevados, muitas vezes sem critérios técnicos transparentes. Para a entidade, trata-se de um modelo perverso de gestão que penaliza quem sustenta o funcionamento do sistema de saúde e privilegia uma cúpula administrativa desconectada da realidade das unidades.

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O quadro se torna ainda mais grave diante do volume de recursos públicos destinados ao instituto. Dados orçamentários indicam que o IGESDF recebe centenas de milhões de reais por ano, com previsões que se aproximam de R$ 1 bilhão anual em repasses do Governo do Distrito Federal. Mesmo com orçamento garantido, o instituto falha em cumprir obrigações trabalhistas básicas, evidenciando má gestão e possível irresponsabilidade no uso do dinheiro público.

Diante das denúncias, o SindSaúde acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) e já ingressa com medidas judiciais, inclusive ações individuais, para garantir reparação financeira e moral aos trabalhadores prejudicados.

Para a diretoria do sindicato, o problema vai além de falhas pontuais e revela o fracasso estrutural do modelo de terceirização adotado na saúde do DF.

“Essa terceirização já demonstrou incapacidade de gerir recursos públicos, de garantir direitos trabalhistas e de assegurar a qualidade da saúde oferecida à população. Se os trabalhadores estão sendo tratados dessa forma, é inevitável questionar o que está acontecendo com os usuários do sistema. A incompetência na gestão ficou evidente”, afirma a direção do SindSaúde.

A entidade alerta que a precarização das relações de trabalho impacta diretamente a qualidade do atendimento à população, colocando em risco a saúde de quem depende do sistema público. Segundo o sindicato, não se trata de falta de recursos, mas de má gestão, mesmo com orçamento assegurado.

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O SindSaúde afirma que seguirá atuando de forma firme e incisiva, denunciando irregularidades, cobrando providências dos órgãos de controle e se colocando ao lado dos trabalhadores da saúde. A entidade também convoca os profissionais que enfrentam essa situação a procurarem o sindicato para formalizar denúncias, fortalecer ações judiciais e buscar reparação pelos danos sofridos.

Em meio ao discurso oficial de modernização da gestão da saúde, a realidade denunciada pelos trabalhadores expõe um sistema fragilizado, onde quem cuida da população é tratado com descaso — e onde o preço da má administração pode estar sendo pago tanto pelos profissionais quanto pelos usuários do SUS no Distrito Federal.

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