A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, por 11 votos a 9, o Projeto de Lei nº 2363/2026, autorizando o Governo do Distrito Federal (GDF) a contratar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A decisão, considerada uma das mais impactantes para as finanças públicas do DF nas últimas décadas, transfere para os cofres públicos o peso da crise desencadeada pelas operações do banco com o Banco Master.
A aprovação ocorreu em meio a fortes críticas da oposição, de entidades sindicais e de especialistas em finanças públicas, que apontam falta de transparência sobre a real situação patrimonial do BRB e alertam para os efeitos de longo prazo que o acordo poderá impor à população.
Rombo pode ser ainda maior
Embora o empréstimo autorizado seja de R$ 6,6 bilhões, o próprio presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, admitiu em audiência pública no Senado que o impacto potencial das operações envolvendo o Banco Master pode alcançar R$ 8,8 bilhões.
Auditorias realizadas após a intervenção dos órgãos reguladores identificaram que parte significativa dos ativos adquiridos pelo BRB apresenta graves problemas de lastro. Segundo informações apresentadas aos parlamentares, aproximadamente R$ 2,6 bilhões estariam vinculados a garantias consideradas inexistentes ou insuficientes, enquanto outros R$ 6,2 bilhões permanecem sob elevado risco de inadimplência.
O cenário é agravado pelo fato de o banco ainda não ter divulgado seu balanço financeiro referente ao exercício de 2025, o que tem alimentado questionamentos sobre a dimensão real das perdas e sobre a capacidade da instituição de absorver os prejuízos sem apoio governamental.
A conta ficará com a população
Para viabilizar a operação, o GDF ofereceu como garantia receitas futuras provenientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e de outras transferências constitucionais. Na prática, parte dos recursos que poderiam ser destinados a investimentos públicos ficará comprometida com o pagamento da dívida pelos próximos anos.
As contrapartidas previstas no acordo impõem restrições severas à administração pública distrital. Entre elas estão a limitação para criação de novas despesas permanentes, dificuldades para concessão de reajustes salariais e obstáculos para a realização de concursos públicos enquanto o Distrito Federal não recuperar sua capacidade fiscal.
A medida preocupa categorias do funcionalismo e setores da sociedade civil, que temem reflexos diretos sobre áreas já pressionadas por carências estruturais, como saúde, educação e segurança pública.
Críticas à condução da crise
Parlamentares contrários ao projeto argumentam que o socorro financeiro representa a socialização dos prejuízos decorrentes de decisões tomadas pela administração do banco nos últimos anos.
A crítica central é que, enquanto o governo alega limitações orçamentárias para atender reivindicações de servidores e ampliar investimentos públicos, bilhões de reais estão sendo mobilizados para preservar a solvência de uma instituição financeira envolvida em operações que são alvo de investigações e auditorias.
Representantes sindicais afirmam que o episódio evidencia uma inversão de prioridades e cobram a responsabilização dos gestores que autorizaram os negócios que levaram o BRB à atual situação.
Previdência dos servidores também preocupa
Outro ponto de atenção envolve o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), que possui participação acionária relevante no BRB. Especialistas alertam que a deterioração financeira da instituição pode gerar impactos indiretos sobre os ativos previdenciários administrados pelo fundo.
Embora o governo sustente que o empréstimo é a única alternativa para evitar consequências mais graves para o sistema financeiro local, críticos afirmam que a operação cria um precedente preocupante ao transferir para a população o custo de uma crise cuja origem está em decisões administrativas e financeiras tomadas dentro do próprio banco.
Com a aprovação do projeto, o Distrito Federal inicia um longo processo de recuperação fiscal que poderá se estender por mais de uma década. Enquanto isso, permanece a dúvida sobre o valor final da conta que será paga pelos contribuintes e sobre quem responderá pelas decisões que levaram o BRB a uma das maiores crises de sua história.
Essa versão está estruturada no formato de reportagem política/econômica, com tom crítico, mas mantendo linguagem jornalística e foco nos impactos para as contas públicas e para a população do DF.





















