Saiba como foi o depoimento do presidente do BRB no Senado sobre a crise com o Banco Master

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, prestou esclarecimentos nesta terça-feira (9/6) à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal sobre a crise financeira que atinge a instituição após as operações realizadas com o Banco Master. Em um depoimento marcado por revelações sobre prejuízos bilionários, investigações internas e pedidos de apoio político, o executivo afirmou que o BRB foi a “maior vítima” do esquema investigado pela Polícia Federal. 

Rombo de R$ 8,8 bilhões e ativos sem lastro 

Durante a audiência, Nelson Souza confirmou que o banco necessita de um aporte de R$ 8,8 bilhões para absorver os impactos das operações realizadas com o Banco Master. Segundo ele, parte significativa do problema está relacionada a ativos que não possuem qualquer garantia real. 

O presidente revelou que cerca de R$ 2,6 bilhões vinculados à carteira da empresa Tirreno não possuem lastro e, na prática, “não existem”. O volume total de operações entre BRB e Master alcançou R$ 30,6 bilhões, sendo que R$ 12,2 bilhões estão sob investigação da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. 

Plano de recuperação depende de aprovação política 

Para evitar o agravamento da crise, Souza detalhou o plano de capitalização da instituição, que classificou como uma “engenharia financeira jamais vista no país”. A proposta foi construída após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

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O plano prevê: 

  • R$ 6,6 bilhões por meio de empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao Governo do Distrito Federal; 
  • R$ 2,2 bilhões oriundos da securitização da dívida ativa do GDF; 
  • Deste último valor, R$ 1,17 bilhão já foi incorporado ao patrimônio do banco. 

O executivo alertou que a aprovação do projeto de lei em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal é fundamental para garantir a continuidade das operações da instituição e evitar um cenário de liquidação. 

BRB prepara ações contra ex-dirigentes 

Outro ponto que chamou atenção durante o depoimento foi o anúncio de medidas para responsabilizar gestores apontados em investigações. 

Segundo Nelson Souza, o BRB ingressará com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos nos fatos apurados. Além disso, mais de 20 funcionários são alvo de processos administrativos internos por suspeitas de participação nas irregularidades. 

O presidente também revelou que, ao assumir o comando da instituição em novembro de 2025, a nova gestão identificou que 23% das ações do banco estavam registradas em nome de pessoas ligadas ao Banco Master. Os ativos já foram bloqueados judicialmente. 

Questionado por senadores sobre a origem da crise, Souza concordou com a avaliação de que o caso reúne elementos de fraude, gestão temerária e até mesmo de um “assalto” contra a instituição. 

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Balanço segue sem divulgação 

Apesar das cobranças dos parlamentares, o presidente não apresentou os números do balanço financeiro de 2025. A divulgação, inicialmente prevista para meses anteriores, foi novamente adiada e deverá ocorrer apenas em 30 de junho. 

Segundo ele, a publicação depende da conclusão dos trabalhos de auditorias independentes. Os relatórios produzidos pela consultoria Kroll e pelo escritório Machado Meyer continuam sob sigilo judicial e, de acordo com Souza, não podem ser compartilhados integralmente nem mesmo com o Governo do Distrito Federal. 

Presidente diz que banco continuará de pé 

Mesmo diante da gravidade da situação, Nelson Souza procurou transmitir uma mensagem de confiança aos senadores. Ele afirmou que o BRB já se encontra em condição melhor do que a encontrada pela atual gestão no final de 2025 e garantiu que a instituição possui capacidade operacional para superar a crise. 

A expectativa apresentada durante a audiência é que, após a recomposição do capital e a conclusão do processo de recuperação, o banco volte a registrar resultados positivos expressivos, com projeção de lucro próximo a R$ 1 bilhão a partir de 2028. 

O depoimento ocorreu em meio à crescente pressão política e institucional sobre o caso, considerado uma das maiores crises da história do BRB, e reforçou a dimensão do desafio enfrentado pelo banco para recuperar sua credibilidade e estabilidade financeira.

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