Dinheiro Público

Em 7 meses, MPMS compromete mais de R$ 18 milhões em contratos sem licitação

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A instituição cobra e fiscaliza gestores públicos que usam contratações diretas sem critério, mas explora as modalidades de forma massiva

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, sob a liderança do procurador-geral Romão Avila Milhan Junior, usa a dispensa de licitação com frequência. Dados do Portal da Transparência mostram que, somente entre janeiro e julho deste ano, o órgão comprometeu mais de R$ 18 milhões em contratações sem concorrência.

A instituição cobra e fiscaliza gestores públicos que usam contratações diretas sem critério. Entretanto, empenhou, no período, R$ 3,8 milhões em dispensa de licitação e gastou mais de R$ 14,2 milhões em inexigibilidade.

As modalidades não são ilegais. Contudo, a Lei n° 14.133, de 1° de abril de 2021, as garante em caráter excepcional. A legislação prevê que esses dispositivos só devem ser adotadas quando não há outra forma de garantir a viabilidade do serviço ou produto.

 

Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul. (Madu Livramento, Midiamax)

Entenda as modalidades

A dispensa de licitação, como o nome diz, permite ao gestor contratar sem licitar.

O instrumento se aplica em várias situações. É o caso de contratação de obras ou serviços de engenharia com valores de até R$ 100 mil. O mesmo vale para compras e outros serviços de até R$ 50 mil.

Além dos limites de valor, a dispensa também se aplica a cenários específicos.

Exemplos são: quando não há interessados em uma licitação já feita; em casos de emergência, calamidade pública ou guerra; e na compra de produtos de alta tecnologia ou insumos estratégicos para o SUS.

A modalidade, portanto, garante agilidade na gestão pública. Ela é usada quando a competição é inviável ou o tempo é crucial.

A inexigibilidade de licitação, por outro lado, é uma garantia para casos em que a competição é inviável. Isso ocorre, em geral, pela singularidade do objeto ou serviço.

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As instituições públicas a adotam para comprar materiais ou equipamentos de um fornecedor exclusivo. Também a utilizam para contratar profissionais específicos do setor artístico ou serviços técnicos especializados e de natureza intelectual, como o caso de consultorias e assessorias.

Este dispositivo assegura que a Administração Pública atenda a necessidades únicas sem perder a eficiência. Para isso, a inviabilidade da competição deve ser justificada e comprovada.

Como o MPMS usa as modalidades

Boa parte das dispensas de licitação do MPMS tem a ver com aluguel de imóveis.

O órgão gasta centenas de milhares de reais por mês em aluguéis, para abrigar promotorias e repartições.

A planilha de dispensa também inclui gastos com gráficas, sistemas, gás e manutenção de elevadores, entre outros.

Já na inexigibilidade, o Ministério Público de MS vai além. O órgão pagou R$ 11 mil para servidoras participarem de um curso on-line. Além disso, empenhou um custo milionário em sistemas cujas finalidades variam desde armazenamento em nuvem até a gestão de Recursos Humanos.

Histórico

Em 2024, a instituição empenhou R$ 22.213.865,49. O valor corresponde à soma de inexigibilidade e dispensa de licitação em 12 meses.

Vale lembrar que, por dois anos seguidos, o MP de Mato Grosso do Sul obteve nota zero em transparência pública. A informação é do DadosJusBR, projeto da Transparência Brasil. A plataforma monitora dados e gastos do poder público.

O nível de transparência do MPMS zerou em 2024. Já havia caído em 2023. Naquele mesmo ano, o pagamento de benefícios saltou cerca de 50%.

Os benefícios incluem diárias, gratificações, remuneração por função de confiança, auxílios de alimentação, saúde e escolar, entre outros.

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Em 2025, o órgão se manteve como um dos únicos no país a repetir a nota. O motivo é a falta de dados suficientes para mostrar o valor que cada membro recebe.

Apesar da falta de transparência, o salário da elite do MPMS virou alvo de denúncia e chegou ao CNMP (Conselho Nacional do MP) — órgão regulador dos MPs.

Com membros ganhando até R$ 152.427,29, o órgão respondeu a processo por pagamento de auxílios que turbinam salários de promotores e procuradores de Justiça.

Analista sênior de transparência e integridade do Transparência Brasil, Bianca Berti explica que os dados abertos ajudam a compreender quais recursos estão sendo utilizados pelo poder público para alcançar determinadas finalidades e objetivos.

Mais recentemente, o MPMS ainda não explicou o fundamento de indenizações de mais de R$ 126 mil pagas somente no mês de junho a servidores comissionados que estão atuando em home office no órgão.

Midiamax descobriu, ao cruzar dados de diversas planilhas, que, dos 32 profissionais com permissão para essa modalidade de trabalho, 21 deles são assessores jurídicos atuando na assistência a promotores e procuradores.

Esses servidores não possuem vínculo efetivo com a instituição por meio de concurso público.

A média salarial paga a esses servidores, no mês de junho, foi de R$ 17.475,32. Ao todo, foi gasto em salário com esse grupo o valor total de R$ 349,5 mil naquele período.

A remuneração mais ‘avantajada’ no sexto mês do ano foi de R$ 21 mil, que contou com indenização de R$ 11.103,69.

A média da verba de natureza indenizatória paga aos servidores comissionados em teletrabalho naquele mês foi de R$ 6.337,26.

Jornal MIDIAMAX

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