ponta do iceberg

Empresário alvo da Operação Dark Money apresenta documentos à Justiça que, segundo sua defesa, comprovariam ter sido vítima de fraude de ex-administrador

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O enredo deste caso poderia estar em uma série de televisão sobre corrupção, empresários influentes, disputas políticas e operações policiais. Mas, ao contrário da ficção, a trama envolvendo o empresário Marcus Vinícius Vieira se desenrola em processos reais, em diferentes varas da Justiça de Mato Grosso do Sul, e expõe conflitos que, segundo os autos, mesclam relações de confiança, acusações cruzadas e um rastro de prejuízos milionários.

Vieira é um dos nomes que apareceram no contexto das operações Dark Money, deflagrada em 2021, focada no combate ao desvio de recursos públicos em prefeituras do Estado. Como ocorre em investigações amplas, a lista de atingidos abrangeu prefeitos, empresários, servidores e empresas, reunindo inocentes e culpados sob o mesmo guarda-chuva até que a Justiça estabeleça responsabilidades individuais.

Hoje, 4 anos após a operação que abalou sua vida pessoal e profissional, Vieira tenta reconstruir a própria história ao mesmo tempo em que trava, na Justiça, uma batalha para demonstrar que teria sido vítima de fraudes cometidas pelo então administrador de sua empresa, Luziano, apontado nos autos como peça-chave de uma engrenagem financeira paralela.

A ORIGEM DO CONFLITO E A ENTRADA DO SÓCIO OCULTO

A narrativa apresentada por Vieira à Vara Cível de Campo Grande conforme processso que nossa reportagem teve acesso começa em meados de 2022, quando  Vieira ingressou com uma ação de exigir contas contra seu ex administrador Luziano.

Contudo, isso revela um capítulo anterior e menos conhecido: no final de 2020, Vieira vendeu 50% da empresa a um “sócio oculto”, cuja identidade, conforme as peças processuais, estaria ligada a grupos empresariais influentes do Estado.

Os documentos anexados mostram que o pagamento  realizado no início de 2021 teria sido efetuado por:

  • Antônio Celso Cortez
  • Antônio Filho
  • A empresa MD, ligada a Alexandre Souza Donatoni

Ex-funcionários ouvidos pela reportagem, que pediram anonimato por medo de represálias, afirmam que a empresa possuía um “sócio oculto” com forte domínio sobre licitações em Mato Grosso do Sul. Tais relatos, contudo, ainda não foram objeto de decisão judicial.

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SINAIS DE FRAUDE E A QUEDA FINANCEIRA DA EMPRESA

Segundo Vieira relata no processo judicial, foi apenas ao longo da operação de 2021 que ele passou a receber alertas sobre supostas irregularidades cometidas por Luziano.

No processo, a defesa aponta 11 modalidades de fraudes, entre elas:

  • Desvios de dinheiro para terceiros;
  • Contratação de dívidas sem lastro;
  • Atraso de tributos, encargos sociais e obrigações previdenciárias;
  • Transferências para familiares do administrador, incluindo sua mãe e companheira, identificada como Walquíria Paiva;
  • Uso da empresa Conexão, de propriedade de Walquiria Paiva, ligada a Luziano, como canal de movimentação financeira.

Os prejuízos, calculados pela defesa, ultrapassariam R$ 7 milhões.

FORAGIDO POR SEIS MESES

A vida de Vieira virou de cabeça para baixo após a deflagração da Operação Dark Money, em novembro de 2021, nos municípios de Maracaju, Rio Brilhante e Campo Grande. No processo judicial ele afirma ter sofrido massacre moral, emocional e financeiro.

Apontado como investigado, permaneceu seis meses escondido em fazendas de seu sócio oculto, segundo relatos de ex funcionários, até obter habeas corpus. Em liberdade, decidiu realizar uma “auditoria privada” para reconstruir o que teria ocorrido na empresa durante a administração de Luziano.

AS CONEXÕES E A AMPLIAÇÃO DO SUPOSTO ESQUEMA

De acordo com os autos, Luziano teria se aliado a figuras com influência empresarial e política, o que teria aprofundado os desvios.

Entre os nomes citados nos documentos, aparecem:

  • Antônio Celso Cortez, que teria atuado na “burocracia financeira”;
  • Felipe Braga Martins, que assumiu a administração dos 50% vendidos pela Rede Construções.

.     A empresa MD, segundo os registros oficiais citados no processo, passou por quatro alterações societárias. Em uma delas, Cortez ingressou formalmente como sócio de Alexandre Donatoni.

A FASE FINAL À ESPERA DE SENTENÇA

A Ação de Exigir Contas, movida por Vieira, encontra-se atualmente na fase final, aguardando sentença.

A Justiça analisará:

  • A dinâmica administrativa da empresa;
  • Os documentos que alegam comprovar as fraudes;
  • O papel dos envolvidos;
  • E a eventual responsabilidade de cada agente citado.

Luziano X Felipe = Operação Spotless

Em reportagem publicada pelo jornal Correio do Estado revelam o elo entre engenheiro Luziano dos Santos Neto com Felipe Braga Martins.

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A Operação Spotless revelou um sofisticado esquema de fraude em uma licitação de R$ 320 mil para recapeamento em Terenos, vencida pela B2 Empreendimentos Ltda. Segundo a investigação do Ministério Público, o engenheiro Luziano dos Santos Neto atuou com Felipe Braga Martins, proprietário da empresa B2, em conluio com o prefeito Henrique Wancura Budke (PSDB) e o então secretário de Obras, Isaac Cardoso Bisneto, para direcionar o certame.

Martins também é proprietário da MB3 Construções, com contratos públicos em outros municípios, e é genro de João Baird, investigado na Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal.

Apesar de atuar como responsável técnico para a B2 e outras empresas, Luziano teria orquestrado a fraude dentro da prefeitura.

“Luziano, na qualidade de engenheiro civil, atuou como responsável técnico de ao menos três empresas do ramo de engenharia contratadas pela Prefeitura Municipal de Terenos/MS, cujos contratos superam a cifra de R$ 6.500.000,00″, cita o despacho que autorizou a operação.

Esta reportagem revela apenas a ponta de um iceberg que envolve disputas empresariais, suspeitas de corrupção, investigações ainda em andamento e a tentativa de um empresário de provar que, no seu caso, “os justos não devem pagar pelos pecadores”.

A Justiça de Mato Grosso do Sul será a responsável por determinar à luz das provas e do contraditório quem são os inocentes e os culpados em um cenário onde interesses públicos e privados se misturam com consequências profundas para todos os envolvidos.

Outra situação que também causa muita estranheza, é que, após os desvios feitos por Luziano, já sem qualificação de administrador da empresa Rede Construções, comprovada pela ação trabalhista, onde não obteve êxito contra a rede construções, o mesmo, começou a operar, junto com Felipe Braga, com uma nova empresa no município de Terenos, onde os dois foram alvos de operação policial que resultou na prisão do prefeito Henrique (PSDB).

O espaço permanece aberto para manifestação todos os envolvidos.

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