Águas Guariroba

Lucro bilionário, tarifas nas alturas e salários defasados: trabalhadores da Águas Guariroba rejeitam proposta sem reposição da inflação

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A Águas Guariroba, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgoto de Campo Grande, apresenta uma contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) considerada “inadmissível” pelo Sindágua-MS, ao mesmo tempo em que ostenta lucros bilionários e pratica tarifas entre as mais altas do país. A proposta, divulgada nesta terça-feira (25), sequer recompõe as perdas inflacionárias acumuladas pela categoria ao longo da última década, que ultrapassam 10%.

Apesar do lucro líquido superior a R$ 1,3 bilhão apenas nos últimos cinco anos, a empresa propõe reajustes que ficam abaixo da inflação oficial e mantém congelados valores de abonos e créditos natalinos. Para os trabalhadores, que garantem o funcionamento diário do saneamento na capital, a sensação é de abandono e desvalorização.

Reajustes abaixo da inflação e benefícios corroídos

A empresa propõe um ACT válido de novembro de 2025 a outubro de 2027, com reajustes diferenciados entre piso e salários gerais. O piso teria aumento de 7,40%, enquanto os demais salários receberiam apenas 4,49%. Benefícios seguem o mesmo índice, também de 4,49%.

Além dos percentuais insuficientes, os abonos e créditos natalinos — de R$ 750 e R$ 250, respectivamente — não terão qualquer correção em 2025 ou 2026, perdendo poder de compra já no momento em que forem pagos.

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Mesmo com defasagem salarial comprovada entre 2015 e 2025, a empresa mantém a lógica de repor apenas parte das perdas e impede que os trabalhadores recuperem o prejuízo acumulado. Enquanto isso, as tarifas de água e esgoto em Campo Grande dispararam 125% entre 2016 e 2026, muito acima do INPC e dos reajustes concedidos aos empregados.

Sindicato denuncia disparidade interna e descaso com a base

O presidente do Sindágua-MS, Lázaro Godoy Neto, aponta que a concessionária ignora reivindicações essenciais e insiste em manter trabalhadores com salários comprimidos e benefícios defasados, apesar do expressivo desempenho financeiro da empresa.

Segundo ele, a distância entre a realidade do chão de fábrica e a da alta gestão é “abissal”. Godoy destaca que a remuneração anual dos diretores equivale a seis meses de salário de 320 empregados que recebem o piso — um contraste que, segundo o sindicato, escancara a falta de equidade interna.

“Os valores propostos pela empresa não repõem nem as perdas salariais acumuladas da última década. É inadmissível que os trabalhadores recebam reajustes inferiores ao INPC, enquanto as tarifas sobem 125% e se tornam uma das mais caras do país”, afirma.

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Lucro garantido, valorização negada

O discurso da empresa de que segue os índices inflacionários para definir reajustes contrasta com seus resultados financeiros robustos. Para o sindicato, a postura da concessionária evidencia uma escolha: manter margens bilionárias em vez de assegurar condições dignas para os profissionais que sustentam a operação.

A contraproposta, afirmam representantes sindicais, não apenas deixa de recompor a inflação acumulada, como ignora demandas relacionadas à valorização profissional, revisão de benefícios corroídos pelo custo de vida e condições internas de trabalho.

Assembleia definirá futuro do ACT

A decisão final ficará nas mãos da categoria no dia 1º de dezembro, com votação das 7h30 às 17h30. Caberá aos empregados decidir se aceitam ou rejeitam um ACT que estenderá essas condições até 2027.

Enquanto a empresa mantém sua posição, o Sindágua-MS reforça que seguirá defendendo uma negociação justa e compatível com as realidades econômica e social da categoria. Para os trabalhadores, a luta vai além de percentuais: trata-se de recuperar direitos, dignidade e reconhecimento em um setor essencial para a população de Campo Grande.

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