Frutas Cítricas

Maranhão: obra de R$ 235 milhões subcontratou empresa de fachada

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Dona de empreiteira é revendedora de maquiagens; TCU identificou “graves irregularidades” em obra-vitrine do governo do Maranhão

O governo de Carlos Brandão (sem partido), no Maranhão, subcontratou uma suposta empresa de fachada para tocar parte de uma obra de R$ 235 milhões no estado. A empreiteira subcontratada não tem funcionários, está em nome de uma revendedora de maquiagens e tem sede em uma pequena sala comercial de São Luís.

Essa é mais uma da série de impropriedades identificadas na construção da nova Avenida Litorânea, que vai ligar São Luís a São José de Ribamar (MA). O empreendimento tem sido anunciado pela gestão estadual como uma “obra histórica”, mas auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) apontaram oito “graves irregularidades” no empreendimento – o que pode resultar em danos econômicos, à moralidade e à probidade administrativa – e já analisam eventuais responsabilizações aos gestores, conforme revelou a coluna.

A construção da nova Avenida Litorânea é financiada com recursos federais do Novo PAC e executada pelo governo do Maranhão. O TCU aponta irregularidades em todas as fases do projeto, da licitação à execução. Foram apurados superfaturamentos que somam R$ 1,8 milhão e restrição à competitividade, além da subcontratação de empresa de fachada.

O contrato de R$ 235 milhões foi firmado pelo governo do Maranhão com a empresa Lucena Infraestrutura Ltda., que, por sua vez, subcontratou a Agla’S Infraestrutura Ltda. por R$ 24 milhões. A subcontratação foi um requisito imposto pelo governo do Maranhão durante a fase de licitação. A exigência estava prevista no edital do pregão e serviu de motivo, inclusive, para desclassificar uma concorrente da disputa.

A Agla’S Infraestrutura, no entanto, está em nome de uma servidora pública do estado, o que é proibido pela legislação. Aglai Fernanda Cruz, a dona da suposta empreiteira, é professora da rede estadual do Maranhão desde 2004, está lotada em um centro educacional em São José de Ribamar e ganha um salário de R$ 6.054,55.

Nas redes sociais, Aglai Fernanda Cruz não faz qualquer referência à atuação da empresa em obras e construções de ordem milionária, sequer à sua atuação como professora da rede estadual. Por outro lado, quase a totalidade das postagens é sobre skincare, blushes, loções demaquilante, batons e os negócios de uma loja de maquiagens.

Maranhão: obra de R$ 235 milhões subcontratou empresa de fachada - destaque galeria

Aglai Fernanda Cruz também responde por improbidade administrativa na Justiça do Maranhão. Segundo denúncia feita pelo Ministério Público (MPMA) em dezembro de 2021, a empresária foi beneficiada diretamente por um esquema de fraude em licitação e desvio de recursos públicos envolvendo a Prefeitura de Vitorino Freire (MA). O esquema também contava com a participação de empresas de fachada e a intermediação de Igor Silva Cruz, marido de Aglai e ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação (CPL) da cidade.

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Empreiteira subcontratada no Maranhão não tem funcionários nem veículos

No âmbito da auditoria realizada pelo TCU, os auditores levantaram informações que evidenciam suspeitas sobre as irregularidades envolvendo a Agla’S Infraestrutura. A empresa não tem site ou perfil nas redes sociais, tampouco veículos ou funcionários.

Arte/ MetrópolesTrecho do relatório de fiscalização do TCU aponta que empresa subcontratada não tem funcionários nem veículos
Trecho do relatório de fiscalização do TCU aponta que empresa subcontratada não tem funcionários nem veículos

“Dessa forma, tendo em vista que a subcontratada foi apresentada nessa condição para executar serviços do contrato da ordem de R$ 24,2 milhões, era esperado que se apresentassem atestados e comprovações que indicassem as reais capacidades operacionais e técnicas da empresa para a execução desses serviços, conforme art. 122, § 1º, da Lei nº 14.133/2021, o que não foi feito”, disparou o Tribunal de Contas da União.

Nesse mesmo sentido, em visita realizada às obras da nova Avenida Litorânea, os técnicos do TCU não acharam funcionários da Agla’S Infraestrutura no local.

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