Uma greve geral dos servidores públicos municipais da Prefeitura de Campo Grande tornou-se uma possibilidade permanente, sobretudo na atual gestão. Refém de questionáveis dogmas evangélico e bolsonarista praticante, a prefeita Adriane Lopes (PP) instalou entre os servidores um sistema cruel e discriminatório, que privilegia uns e desvaloriza outros. A situação é tão injusta e contraditória, que chega a ser surreal.
De um lado, está a grande maioria dos trabalhadores. São os que trabalham de verdade e representam mais de 95% do quadro de pessoal. De outro lado está a minúscula minoria, formada por amigos, parentes, irmãos de igreja, ex-candidatos e ex-vereadores derrotados. Obviamente, todos estes disponíveis para servirem como “cabos eleitorais” da prefeita e de seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes.
Já há mais de três anos no poder (desde abril de 2022), a prefeita até hoje não conseguiu cumprir suas principais promessas de campanha, mesmo reeleita. O compromisso que assumiu e renovou com o conjunto dos servidores para valkorizá-los salarialmente ficou em segundo plano. Repetidas vezes, desde que assumiu, negou-se a conceder melhorias na remuneração dos servidores “comuns”, limitando-se a premiar os de seu intreresse.

DESUMANIDADE – A postura insensível e desumana de Adriane Lopes está fartamente demonstrada. Teimosa, desobedeceu até ordem judicial para cumprir leis trabalhistas que obrigam o pagamento de adicionais por serviço insalubre e periculoso. Descumpriu também determinação do Tribunal de Contas para que desativasse uma folha secreta criada com a intenção de realizar pagamentos – geralmente de pessoal – sem deixar rastros nos portais da transparência.
Agora, ela utiliza expedientes rasteiros para justificar a decisão de não conceder reajustes salariais devidos aos servidores alegando que está obrigada a cortar gastos e controlar o custeio. Refere-se, malandramente, à Lei nº 7.443, que limita o crescimento das despesas primárias (como salários, benefícios e encargos) à inflação oficial medida pelo IPCA. A desculpa poderia até ser razoável. Mas não é. A realidade a desmascara.
Enquanto escoiceia a chance de fazer justiça e garantir legítimos direitos a quem trabalha, Adriana Lopes mantém o mesmo esquema da folha secreta e dos super-salários, fazendo do poder público um guarda-chuva de favores privados e empreguistas, canalizando basicamente os frutos destas operaões os projetos políticos de seu interesse, entre os quais a reeleição do esposo-deputado.
Não é apenas discurso. Basta conferir documentos oficiaise o que já foi pubicado pela imprensa. O cabide de empregos na gestão Adriane é um generoso refúgio de aliadops políticos, socorridos pelo dinheiro dos contribuintes. Dezenas de pastores, ex-vereadores e políticos que não se elegeram foram contratados por Adriane para cargos de confiança, que não exigem concurso público. Vários beneficiários da “bondade” adrianista tiveram e continuam tendo seus nomes e cargos revelados.
Alguns sortudos acumulam salários. Estão neste caso vários ex-vereadores, entre os quais Valdir Gomes, Marcos Tabosa e Sandro Benites, todos abrigados no colo do Executivo por Adriane. Presidente da Fundação de Esportes (Funesp), Benites recebeu R$ 55.964,38 em salários e gratificações pagos pela Prefeitura de Campo Grande e pelo Governo do Estado. Desde o início do ano, a prefeita paga R$ 19.748,35 de bônus extra ao bolsonarista, apesar de ele ser cedido ao município com ônus para a origem.
Alguns sortudos acumulam salários. Estão neste caso vários ex-vereadores, entre os quais Valdir Gomes, Marcos Tabosa e Sandro Benites, todos abrigados no colo do Executivo por Adriane. Presidente da Fundação de Esportes (Funesp), Benites recebeu R$ 55.964,38 em salários e gratificações pagos pela Prefeitura de Campo Grande e pelo Governo do Estado. Desde o início do ano, a prefeita paga R$ 19.748,35 de bônus extra ao bolsonarista, apesar de ele ser cedido ao município com ônus para a origem.
O ex-vereador Marcos Alex ficou conhecido como Alex do PT, partido onde passou a maior parte de sua trajetória política. Depois que deixou o partido, tirou o PT do nome e ingressou na banda conservadora. É assessor do gabinete da prefeita, com salário bruto de R$ 23,4 mil, que com as deduções cai para R$ 17.342,87. O Portal da Transparência da prefeitura mostra que os inseridos na folha secreta ou paralela têm seus vencimentos expostos em dois holerites distintos, cujo acesso se dá de duas maneiras, sendo o dos ganhos extras justamente o que apresenta maior grau de dificuldade.

NEPOTISMO – Nenhum documento detalha dados sobre descontos previdenciários e tributários, outra irregularidade da gestão. Todavia, entre os diversos casos, um basta para atestar o descalabro do compadrio, com a prática aberta e despuradorada do nepotismo. Um dos super-salários da curriola é pago à servidora Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes. Ela é concunhada de Adriane (casada com um irmão de Lídio Lopes).

Thelma era a secretária-adjunta de Assistência Social no primeiro mandato de Adriane e ganhava R$ 17 mil mensais. Em novembro de 2022 ela teve nada menos que R$ 105 mil de remuneração e férias. Já era, na época, um ganho maior que o do próprio titular da pasta.
No entanto, um detalhe chama a atenção. Segundo o Portal da Transparência, que qualquer pessoa pode conferir, o salário da chefe de gabinete em abril de 2023 era pouco mais de R$ 17 mil. Mas na folha de pagamento do gabinete da prefeita, documento interno e fora do portal, a anotação marca outros valores: o bruto, de R$ 57.998,78, e o líquido, de R$ 41.770,67. Tem razão a prefeita Adriane Lopes: pagando tamanhas fortunas para os protegidos pelo seu guarda-chuva, não tem mesmo dinheiro para reajustar o salário dos trabalhadores que trabalham.





















