Capital Sem Problemas

Prefeita, vice, secretários e vereadores vitaminam os próprios salários

Credito- André de Abreu

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Crise não impede cúpula do poder de beneficiar também familiares e amigos pendurados no “cabidão” da prefeitura

 

Nada melhor que morar num município sem problemas. Não há crise financeira, os serviços de saúde, educação e transporte coletivo funcionam satisfatoriamente, as ruas são pavimentadas e recebem manutenção, entre outras maravilhas. Dessa forma, é muito natural que a cúpula dos poderes públicos seja valorizada e tenha direito a faturar polpudas remunerações, pagas pelos felizes e agradecidos contribuintes.

Ocorre que esta cidade maravilhosa não é Campo Grande, porque na capital de Mato Grosso do Sul o panorama é totalmente oposto. Os serviços públicos essenciais ou não funcionam ou são executados precariamente, em especial na saúde, na manutenção urbana e no transporte. Para completar, a falta de transparência, a gastança desordenada e o empreguismo tiraram da prefeitura qualquer capacidade de investimento para melhorar as condições de vida, trabalho, educação, saúde e lazer da população.

Nada disso, entretanto, demoveu a prefeita Adriane Lopes (PP), sua vice Camila Nascimento e secretários de ter os seus salários contemplados com um belo reajuste – e com apoio de quase todos os vereadores, também beneficiados, à exceção de Marquinhos Trad (PDT), que votou contra. É isto mesmo: para que as remunerações dos que já estão ganhando mais seja aumentada a Câmara Municipal precisa aprovar um projeto de lei. E foi o que aconteceu, sem problemas, segundo o próprio Legislativo.

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A APROVAÇÃO – Ontem, quinta-feira, dia 24, a Câmara aprovou o Projeto de Lei de número 11.791/25, fixando o subsídio mensal da prefeita, que serve como teto para garantir reajuste dos servidores públicos. Neste bloco estão 474 servidores das áreas de fiscalização, odontólogos, médicos, professores e alguns aposentados cujos salários estão congelados. Adriane recebe este mês R$ 26,9 mil. A partir de fevereiro de 2026 serão R$ 31,9 mil e em fevereiro de 2027 a bufunfa mensal passará para R$ 35,4 mil.

A lei aprovada precisa ser sancionada pela prefeita para que entre em vigor. Adriane já avançou e recuou nesta polêmica questão. No caso dos vereadores, o voto favorável ao projeto tornou-se condição obrigatória, para aqueles que fazem parte da base política adrianista e têm familiares amparados pela prefeita com cargos na prefeitura. A vice-prefeita e os secretários também serão beneficiados com aumentos escalonados, que chegam a 67% em comparação com os salários atuais.

Um dado irônico neste processo é que Adriane Lopes, inicialmente, diante das fortes críticas da população, até entrou na Justiça para impedir a tramitação do projeto de reajuste, que é uma das atribuições obrigatórias da Câmara. Passada a primeira reação, ela voltou à carga com outro projeto de reajuste, alegando que na vez anterior não tinha conhecimento ou estudo de impacto salarial para tomar a melhor decisão.

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