Oposição classifica a gestão de seis anos como “verdadeira tragédia” e aponta 365 mortes por dengue, falhas graves no atendimento e escândalos de corrupção que transformaram a saúde em “caso de polícia”
Brasília (DF) — Em meio a uma crise aguda na saúde pública do Distrito Federal, o Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal (PT-DF) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB-DF) rechaçaram veementemente as declarações do governador Ibaneis Rocha (MDB), que acusou a oposição de tentar “politizar” a situação. Para os partidos, as falas do governador são uma “tentativa desesperada de desviar a atenção dos graves problemas e da incompetência que marcam sua própria administração”.
O panorama da saúde no DF, sob a gestão de Ibaneis, é descrito pelo PT-DF como uma “verdadeira tragédia”. As falhas de atendimento e o desmantelamento do Sistema Único de Saúde (SUS) são apontados como responsáveis por diversas fatalidades e dificuldades extremas enfrentadas pela população.
Os Graves Problemas da Saúde no DF
Os críticos destacam que os últimos seis anos de gestão de Ibaneis Rocha e sua vice, Celina Leão, têm sido marcados por um conjunto de falhas críticas que prejudicam gravemente o atendimento à população. Entre os principais problemas apontados pela oposição, baseando-se em dados e ocorrências recentes, estão:
- Crise da Dengue e Mortalidade: A Saúde do DF é marcada pelo agravamento da dengue, totalizando 365 mortes. A média de casos da doença no DF chega a ser 10 vezes maior que a média nacional.
- Mortes Evitáveis e Falhas no Atendimento: Houve uma série de falhas de atendimento que resultaram na morte de quatro crianças em um mês. O PT-DF aponta que as “diversas mortes evitáveis mostram o tamanho do problema”.
- Filas e Demora no Tratamento: Há “enormes filas para transplantes” e a dor das famílias é agravada ao verem seus entes queridos em filas da oncologia que duram, em média, mais de 600 dias para o início do tratamento.
- Falta de Recursos: Os hospitais estão lotados, há falta de médicos e escassez de medicamentos.
IGESDF e o “Caso de Polícia”
O PSB-DF afirmou que, sob Ibaneis, a saúde se transformou em um “caso de polícia”. O partido remonta o início das “escalada de imoralidades” ao primeiro ano de gestão, quando Ibaneis transformou o Instituto Hospital de Base (IHB) no Instituto de Gestão Hospitalar (IGESDF).
Segundo o PSB, o IGESDF resultou em corrupção e no desmantelamento da saúde pública. O ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) afirmou que Ibaneis transformou o Instituto Hospital de Base em um “tal de IGES, que virou um antro de corrupção e cabide de emprego”.
A crise da saúde atingiu o ápice quando a corrupção e o desvio de dinheiro, ocorridos durante a pandemia da COVID-19, resultaram inclusive na prisão de toda a cúpula da Secretaria de Saúde do governo de Ibaneis no exercício do cargo. O presidente do PSB no DF, Rodrigo Dias, destacou que Ibaneis precisa lembrar que já está em seu segundo mandato, governando há seis anos, e que foi durante sua gestão que o secretário da Saúde e toda a cúpula foram presos.
O Confronto Político e a CPI
Em resposta às críticas, Ibaneis Rocha tentou culpar governos anteriores, referindo-se aos mandatos de Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) como “a desgraça que foi” e mencionando a “incompetência dessas duas administrações”. Ele ainda afirmou à imprensa que “problemas acontecem” e que a oposição tenta “politizar” a crise, alegando que não se pode transformar “problemas pontuais em problemas políticos”.
Apesar da defesa do governador, o presidente do PSB no DF, Rodrigo Dias, defendeu que Ibaneis deveria demonstrar compaixão pelas famílias que perderam seus entes queridos, em vez de “agir de forma leviana e irresponsável, culpando governos anteriores pelo caos na saúde”.
A gravidade da situação motivou o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para investigar a saúde pública. O requerimento para a CPI alcançou o mínimo exigido de 8 das 24 assinaturas de deputados.
No entanto, em uma votação no colégio de líderes, os partidos da base do governo Ibaneis Rocha (MDB) conseguiram adiar a instalação imediata da CPI. Foi anunciado que a instalação seguirá a ordem cronológica, e a CPI da Saúde precisará aguardar as outras duas comissões que estão na frente. O pedido de instalação visa investigar os “desafios críticos” que o sistema de saúde enfrenta.



















