Distrito Federal

Saúde do DF segue em crise com hospitais que nunca saíram do papel

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Cinco hospitais anunciados na campanha de 2022 não serão entregues até 2026; mais de 700 leitos prometidos à população ficaram apenas no discurso.

A crise na saúde pública do Distrito Federal ganhou um novo capítulo marcado por promessas não cumpridas e obras que não avançaram além do papel. Nenhum dos cinco hospitais anunciados pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) durante a campanha eleitoral de 2022 será entregue até o fim de seu mandato, em 2026. A informação foi confirmada pela própria Secretaria de Saúde do DF e evidencia o abismo entre o discurso eleitoral e a execução administrativa.

As unidades prometidas, que juntas acrescentariam 704 novos leitos à rede pública, representavam um investimento estimado em mais de R$ 1,2 bilhão. No entanto, passados quase quatro anos, o cenário é de estagnação generalizada, com obras em estágio inicial, travadas por entraves burocráticos ou sequer iniciadas.

Obras anunciadas, entregas inexistentes

O retrato das promessas frustradas é revelador:

  • Hospital do Recanto das Emas: apenas 3,09% executado, apesar de contrato de R$ 133,7 milhões.
  • Hospital Ortopédico do Guará: avanço ainda menor, com 2,19% de execução em um contrato de R$ 174 milhões.
  • Hospital de São Sebastião: obra não iniciada, aguardando liberação bancária para emissão da ordem de serviço.
  • Hospital Oncológico Jofran Frejat: anunciado como obra em andamento no plano de governo, nunca saiu do papel e segue em fase de licitação, prevista apenas para fevereiro de 2026.
  • Novo Hospital Regional do Gama: sem obras, restrito à elaboração de documentos técnicos.
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Na prática, nenhuma promessa estruturante foi cumprida, apesar da gravidade da situação enfrentada diariamente por pacientes e profissionais da saúde.

Discurso revisto após a eleição

Diante dos atrasos, o governador passou a relativizar os compromissos assumidos. Ibaneis Rocha declarou que “há projetos que ultrapassam mandatos” e afirmou não ter garantido a entrega integral das unidades durante sua gestão. A fala contrasta com o tom adotado na campanha, quando os hospitais eram apresentados como resposta direta ao colapso da rede pública.

A justificativa oficial aponta dificuldades orçamentárias. O próprio governador reconheceu a necessidade de “apertar o cinto” na saúde em 2026, admitindo que o orçamento do setor não comportou os custos projetados. Entre os fatores citados estão o aumento no preço de insumos e o desequilíbrio financeiro nos contratos com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGES).

Promessas descumpridas também na atenção básica

O problema não se limita aos grandes hospitais. As promessas para a atenção primária e de urgência também ficaram pelo caminho:

  • UBSs: das 18 unidades prometidas, apenas três foram entregues até o início de 2026.
  • UPAs: nenhuma foi concluída no segundo mandato. Seis seguem em construção, mas com previsão de entrega apenas ao longo de 2026, já fora do tempo político das promessas.
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População paga a conta

Enquanto os anúncios não se concretizam, a população enfrenta superlotação crônica, filas intermináveis e estruturas sobrecarregadas, especialmente em hospitais como o do Gama. A ausência dos 704 leitos prometidos compromete a capacidade de resposta do sistema e aprofunda a sensação de abandono.

Mais do que números, o caso expõe um padrão recorrente: a saúde como vitrine eleitoral e vítima da falta de execução. Para os usuários do SUS no DF, o saldo é claro, muitos compromissos, poucas entregas e uma crise que segue sem solução concreta.

 

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