Retificação judicial livra o BRB do bloqueio bilionário, mas mantém afastamento de executivos
A Justiça Federal retificou, na noite desta terça-feira (18), a decisão que determinava o bloqueio de bens no valor de R$ 12,2 bilhões no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar fraudes bilionárias no Banco Master. O novo entendimento excluiu completamente o Banco de Brasília (BRB) da medida de constrição patrimonial, após a instituição ter sido alvo de mandados de busca e sofrer repercussões políticas e administrativas desde o início da operação.
Justiça retifica decisão e desobriga BRB de bloqueio
Segundo a 10ª Vara Federal de Brasília, os bloqueios determinados pela PF atingem apenas pessoas físicas investigadas e empresas diretamente envolvidas no esquema, não recaindo sobre o BRB. A retificação esclarece que a eventual responsabilização de dirigentes do banco não se confunde com a da instituição financeira, que segue operando normalmente.
Em nota, o BRB confirmou que “nenhum bem ou valor da instituição foi bloqueado” e reforçou que está colaborando com as autoridades, reafirmando seu compromisso com a legalidade e com as normas do Sistema Financeiro Nacional. A correção judicial encerra rumores sobre um suposto impacto direto nas contas do banco, que chegou a ser citado de maneira genérica nas decisões iniciais da operação.
Afastamento de executivos mantém pressão sobre o banco
Apesar da exclusão do bloqueio, a Justiça determinou o afastamento temporário de dois dos principais executivos do BRB:
- Paulo Henrique Costa, presidente;
- Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria.
Ambos são investigados na condição de pessoas físicas, e permanecerão afastados por 60 dias. Para o comando do banco, o Governo do Distrito Federal indicou Celso Eloi de Souza Cavalhero, superintendente da Caixa Econômica Federal, cuja nomeação ainda precisa ser aprovada pela Câmara Legislativa do DF.
Operação expõe risco sistêmico e rombo bilionário no Master
A Operação Compliance Zero apura a emissão e negociação de títulos de crédito falsos que podem ter movimentado até R$ 12 bilhões. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso junto com outros cinco suspeitos. A PF apreendeu ainda R$ 1,6 milhão em espécie, carros de luxo, obras de arte e relógios.
Após as ações policiais, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial e instaurou administração especial temporária no Master.
Relação entre BRB e Master levanta questionamentos
Mesmo excluído do bloqueio, o BRB permanece sob escrutínio do Ministério Público Federal e do Banco Central. Auditorias apontaram que operações financeiras entre BRB e Master somaram R$ 16,7 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025 — valores considerados incompatíveis com a estrutura das instituições.
O MPF identificou suspeitas de que parte dessas operações, incluindo a transferência de R$ 12,2 bilhões, teria sido conduzida de forma irregular, com ativos revendidos pelo Master sem lastro ou pagamento comprovado. Relatórios do Banco Central classificaram como “atípico e desarrazoado” o fato de o BRB só ter exigido documentação adicional após ser cobrado pelo órgão regulador.
Em março deste ano, o BRB chegou a manifestar interesse em adquirir o Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi vetada pelo BC em setembro, ampliando as suspeitas sobre a solidez das transações entre os bancos.
Repercussões políticas
A crise repercute no cenário político do Distrito Federal. As suspeitas envolvendo altos dirigentes e as operações bilionárias com o Master levaram a pedidos públicos de renúncia do governador Ibaneis Rocha (MDB) e da vice Celina Leão (PP). O ex-secretário Ricardo Cappelli reforçou a necessidade de abertura de uma CPI na Câmara Legislativa do DF para investigar a relação entre o BRB e o Master.
Com a correção judicial que exclui o BRB do bloqueio bilionário, o banco tenta recuperar a estabilidade institucional, enquanto a investigação permanece em curso e mantém pressão sobre seus ex-executivos e sobre o governo local.






















