Polícia Civil investiga fraudes no órgão e apura possível desvio de recursos para campanhas eleitorais
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul conduz quatro inquéritos que investigam um suposto esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito). Em um dos procedimentos, o deputado federal Beto Pereira (PSDB) é citado como possível líder da organização criminosa que teria atuado dentro do órgão estadual.
As investigações são conduzidas pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e, segundo apuração do Jornal Midiamax, novas oitivas devem ocorrer nas próximas semanas para aprofundar o rastreamento financeiro e identificar os mentores do esquema.
Despachante é apontado como peça-chave
O esquema teria como figura central o despachante David Cloky Hoffaman Chita, preso no mês passado após permanecer cerca de um ano e meio foragido. Ele é apontado como operador do grupo e já é réu em ação penal que tramita na Justiça Estadual.
Além de Chita, o grupo investigado incluiria o assessor parlamentar Thiago Gonçalves, descrito como “braço direito” do deputado, e servidores comissionados que teriam ligação com campanhas do PSDB. Entre eles está Yasmin Osório Cabral, que atuou em campanhas partidárias e atualmente responde ao processo sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. Em depoimento à polícia, ela optou por permanecer em silêncio.
Denúncia envolve suposto caixa dois eleitoral
De acordo com os investigadores, há indícios de que parte dos valores obtidos de forma ilícita teria sido desviada para financiar campanhas eleitorais, o que pode configurar crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral.
Em entrevista publicada anteriormente pelo Jornal Midiamax, David Chita afirmou que teria sido convocado para uma reunião com Beto Pereira, em dezembro de 2022, no escritório do parlamentar, em Campo Grande. Segundo o despachante, nesse encontro ele teria recebido orientações para operar o esquema com o objetivo de formar caixa dois para a campanha do PSDB à Prefeitura da Capital.
Estrutura hierárquica sob apuração
Conforme o relato de Chita que agora é objeto de investigação policial , Beto Pereira seria o principal beneficiário do esquema e responsável por garantir sua continuidade por meio de indicações políticas no Detran-MS. Entre os casos citados está a nomeação de Priscila Rezende de Rezende, prima do parlamentar, para a diretoria responsável pelo registro de veículos, ocorrida dias após o suposto encontro entre ambos.
Ainda segundo a denúncia, Thiago Gonçalves atuaria como intermediário entre o suposto chefe do esquema e os demais integrantes, sendo responsável pela cooptação de servidores, como Yasmin Cabral, que teria sido nomeada para a Corregedoria do órgão.
Justiça barra pedido de censura
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) negou, por unanimidade, recurso apresentado por Beto Pereira que alegava perseguição política por parte do Jornal Midiamax. A Corte entendeu que as reportagens permaneceram dentro dos limites do jornalismo investigativo e rejeitou o pedido de retirada do conteúdo.
O deputado também foi listado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) como “político ficha suja” para as eleições de 2024, em razão de irregularidades apontadas em contas de sua gestão como prefeito de Terenos.
Investigações seguem sob sigilo
Enquanto a Polícia Civil aprofunda os inquéritos, a ação penal que envolve David Chita e Yasmin Cabral segue em tramitação. Audiência para oitiva de testemunhas foi marcada para o fim de janeiro.
A delegada Ana Cláudia Medina, titular do Dracco, informou que os inquéritos correm sob sigilo e que não comenta investigações em andamento.
A reportagem procurou a assessoria do deputado federal Beto Pereira, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.






















