prioridades invertidas

Bilhões para o espetáculo, migalhas para a segurança: as prioridades invertidas do governo Mauro Mendes

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Por seis anos, a segurança pública de Mato Grosso recebeu menos recursos do que um único empreendimento recreativo em apenas três. Os números oficiais expõem uma escolha política que cobra seu preço nas ruas.

Os dados são oficiais, divulgados pelo próprio Governo de Mato Grosso. Ainda assim, causam espanto — e indignação. Em seis anos de gestão, o governo Mauro Mendes afirma ter investido R$ 237,2 milhões na modernização da Polícia Militar e da segurança pública. O valor é apresentado como avanço institucional. Mas perde qualquer aparência de conquista quando comparado a outro número, também público: mais de R$ 2 bilhões destinados, em apenas três anos, à construção do Parque Novo Mato Grosso, projeto que já ganhou o apelido popular de “Parque dos Bilionários”.

A disparidade é gritante. Para efeito de comparação, uma única atração do complexo  a roda-gigante  teria custado cerca de R$ 70 milhões, quase um terço de tudo o que foi investido na segurança pública ao longo de seis anos. Em um estado marcado pelo avanço do crime organizado, pelo fortalecimento de facções e pelo aumento da sensação de insegurança, a mensagem que os números transmitem é clara: a prioridade do governo não está na proteção do cidadão.

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Enquanto o Palácio Paiaguás celebra obras monumentais, de forte apelo midiático e turístico, a realidade enfrentada pela população é bem menos festiva. Moradores de diferentes regiões do estado relatam crescimento da violência, domínio territorial de facções criminosas e medo constante. Policiais, na ponta do sistema, convivem com efetivo limitado, carência de tecnologia, deficiências em inteligência policial e estruturas que não acompanham a complexidade do crime moderno.

Especialistas em segurança pública são unânimes ao alertar que o enfrentamento ao crime organizado exige investimentos contínuos e robustos em inteligência, investigação, tecnologia e valorização profissional. Não se combate facção com marketing institucional nem com obras faraônicas. Combate-se com planejamento, recursos e prioridade política. Quando esses elementos faltam, o resultado aparece rapidamente: mais violência, mais impunidade e menos confiança do cidadão no Estado.

O contraste entre os bilhões aplicados em um parque recreativo e os recursos relativamente modestos destinados à segurança pública alimenta a percepção de um governo mais preocupado com o espetáculo do que com a vida real. A sensação é a de que a população foi empurrada para o segundo plano, refém de escolhas que privilegiam a imagem e o concreto, enquanto a segurança  dever básico do Estado  permanece subfinanciada.

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Não se trata de ser contra lazer, turismo ou desenvolvimento urbano. Trata-se de prioridades. Em um cenário de avanço do crime e medo crescente nas cidades, investir bilhões em entretenimento enquanto a segurança recebe migalhas não é apenas uma decisão administrativa questionável  é uma escolha política que expõe valores. E os valores, neste caso, parecem estar muito distantes das necessidades urgentes de quem vive, trabalha e tenta sobreviver em Mato Grosso.

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