Sessão de abertura do ano legislativo ocorre sem presença do Executivo, com críticas da oposição, manifestações nas galerias e clima de tensão política em ano eleitoral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) retomou, nesta terça-feira (3), as atividades parlamentares de 2026 em um cenário atípico e politicamente simbólico, pela primeira vez, a sessão de abertura do ano legislativo ocorreu sem a presença de qualquer representante do Governo do Distrito Federal (GDF) no plenário ou na mesa diretora.
Apesar do quórum elevado com a presença de 21 dos 24 deputados distritais, a ausência total do Executivo deu o tom de uma sessão marcada por cautela, discursos críticos e manifestações populares nas galerias, em um ano que será encurtado pelo calendário eleitoral.
A decisão de não enviar representantes do governo partiu de um entendimento entre o presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha. Segundo Wellington, a medida buscou preservar a autonomia do Legislativo em um momento que classificou como sensível.
“Foi uma tentativa de deixar a Câmara fazer seu papel sem constranger ninguém. Entendi que os deputados precisavam se manifestar livremente, cada um com sua visão”, afirmou o presidente da Casa durante a sessão.
Mensagem enviada, mas não lida
Mesmo ausente, o governador Ibaneis Rocha encaminhou à CLDF a tradicional Mensagem do Executivo, na qual destacou a parceria institucional com o Legislativo e atribuiu à atuação conjunta avanços em áreas como saúde, segurança pública e educação. O texto também reafirma o compromisso do governo com Brasília, classificado como “inatacável”.
Os parlamentares decidiram por não ler a mensagem em plenário, rompendo um rito tradicional da abertura dos trabalhos legislativos e reforçando o caráter político da sessão.
Sessão solene e pressão popular
Sem integrantes do Executivo, a mesa diretora foi composta exclusivamente por parlamentares: Wellington Luiz (MDB), o vice-presidente Ricardo Vale (PT), a segunda vice-presidente Paula Belmonte (PSDB) e o primeiro-secretário Pastor Daniel de Castro (PP).
Durante os pronunciamentos dos líderes partidários, as galerias permaneceram ocupadas por manifestantes, que levaram faixas e palavras de ordem. Entre as principais reivindicações estavam:
- Pedidos de impeachment do governador Ibaneis Rocha;
- Cobrança pela instalação da CPI do Banco Master, alvo de denúncias e questionamentos recentes;
- Pressão por nomeações em concursos públicos, com grupos de aprovados pedindo ampliação do quadro de servidores.
Deputados da oposição, como Chico Vigilante (PT), Fábio Felix (PSol) e Gabriel Magno (PT), aproveitaram a tribuna para reforçar críticas ao governo, abordar problemas na prestação de serviços públicos e defender maior fiscalização sobre o Executivo.
Ano eleitoral e pauta encurtada
Com 2026 sendo um ano de eleições gerais, a expectativa na CLDF é de um calendário legislativo mais curto e concentrado. Wellington Luiz informou que os parlamentares devem se reunir ainda em fevereiro para definir as prioridades de votação.
Segundo o presidente da Casa, saúde e segurança pública devem ocupar o centro da agenda, com projetos considerados urgentes sendo tratados de forma prioritária, inclusive em diálogo com o Executivo.
“É um ano menor, um ano eleitoral, em que muitos se dedicam às campanhas. Mas isso não pode nos afastar daquilo que é essencial para a população”, afirmou.
A abertura dos trabalhos foi acompanhada brevemente por poucas autoridades externas, entre elas o conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), Márcio Michel, e o ex-jogador Washington ‘Coração Valente’, que articula candidatura ao Congresso Nacional.
A sessão deixou claro que, embora o discurso institucional ainda pregue cooperação, o início de 2026 na CLDF foi marcado por sinais evidentes de distanciamento político e aumento da pressão sobre o Palácio do Buriti.




















