Servidor do Detran-DF liderava esquema de fraudes em transferências de veículos

Foto: Lúcio Bernardo Jr.

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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta terça-feira (26), a Operação Ghost Operator, que investiga um esquema milionário de fraudes dentro do sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal. Segundo as investigações conduzidas pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), a organização criminosa utilizava acessos indevidos ao sistema interno do órgão para realizar transferências fraudulentas de veículos, retirar multas e excluir restrições administrativas. 

De acordo com a apuração policial, o grupo era liderado pelo servidor do Detran-DF Alexandre Macedo da Rosa, apontado como responsável por coordenar o esquema e recrutar integrantes para operacionalizar as fraudes. Entre os envolvidos está a esposa do servidor, Shana Rodrigues Macedo, suspeita de receber pagamentos provenientes das transações ilícitas. 

As investigações revelaram que o esquema também contava com a participação de despachantes, entre eles Pedro Cruz Filho e Caio Raffael de Jesus, responsáveis pela captação de clientes interessados em regularizações ilegais de veículos. 

Fraudes começaram com uso indevido de senha funcional 

A operação teve início após uma vítima descobrir que seu veículo havia sido transferido para outra pessoa sem autorização. A partir da denúncia, a polícia identificou um sofisticado esquema de manipulação de dados no sistema do Detran-DF. 

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Inicialmente, os investigados utilizavam irregularmente a senha funcional de uma servidora do órgão. A funcionária percebeu movimentações incompatíveis com sua rotina de trabalho, inclusive operações realizadas fora do horário de expediente, e comunicou o caso às autoridades. 

Após o bloqueio do acesso, os criminosos passaram a criar chamados “usuários fantasmas”: perfis sem qualquer vínculo formal com o Detran, mas com permissões suficientes para inserir dados falsos, aprovar processos e alterar registros veiculares. 

Segundo a PCDF, cada fraude custava cerca de R$ 2 mil aos clientes envolvidos. Os valores eram transferidos diretamente para contas vinculadas a Shana Rodrigues Macedo. 

Mais de 600 operações suspeitas e prejuízo milionário 

O cruzamento de dados e a perícia realizada nos sistemas do Detran-DF identificaram mais de 600 transações irregulares, incluindo transferências de propriedade, exclusão de multas e retirada de restrições administrativas. 

A estimativa da investigação é de que a organização criminosa tenha movimentado aproximadamente R$ 1 milhão durante o período investigado. 

Além do Distrito Federal, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Valparaíso (GO)Teresina (PI) e Santiago (RS). Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e bloqueio de valores. 

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Principais investigados estão foragidos 

A Justiça expediu cinco mandados de prisão preventiva contra os suspeitos. No entanto, até o momento, Alexandre Macedo da Rosa, Shana Rodrigues Macedo e os despachantes investigados seguem foragidos. 

Os envolvidos foram indiciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. 

Detran-DF afirma que reforçou segurança dos sistemas 

Em nota, o Detran-DF informou que as irregularidades foram detectadas por mecanismos internos de monitoramento e cruzamento de informações. O órgão afirmou ainda que está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela PCDF. 

Entre as medidas adotadas estão o afastamento de servidores investigados, bloqueio de acessos suspeitos e revisão dos protocolos de segurança digital da autarquia. 

O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, declarou que o órgão intensificou a revisão dos perfis de acesso ao sistema para impedir novas invasões e fraudes internas.

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