Dinheiro Público

TCDF barra R$ 950 mil em camarote do GDF na Stock Car e expõe “mordomias” do governo Ibaneis

Foto: Renato Alves/Agência Brasília

publicidade

Tribunal aponta indícios de sobrepreço e luxo incompatível com o interesse público em camarote de R$ 950 mil do GDF.

Enquanto hospitais enfrentam carências estruturais e a população cobra melhorias em serviços essenciais, o Governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), viu-se no centro de mais uma polêmica envolvendo prioridades de gasto. O Tribunal de Contas do DF (TCDF) suspendeu o pagamento de R$ 950 mil para custear um camarote institucional na etapa da Stock Car, durante a reabertura do Autódromo Internacional de Brasília, em novembro de 2025.

A decisão escancarou o contraste entre o discurso de responsabilidade fiscal e a realidade de um evento marcado por luxo e benefícios restritos a convidados selecionados.

Champagne, DJ e “massagem rápida” com dinheiro público

A estrutura de 500 m², planejada para receber 300 convidados, incluiu uma lista de itens que chamou a atenção dos auditores do TCDF, e da opinião pública. Entre eles, estavam R$ 55 mil destinados apenas à compra de champagne, R$ 180 mil para serviços de DJ e “massagem rápida”, além de mais de R$ 222 mil para a instalação de um simulador de corrida. Também constam R$ 55 mil para bar de drinks, cerca de R$ 23 mil em vans para deslocamento interno e indícios de duplicidade de pagamento em serviços de cenografia, no valor de R$ 49 mil.

Leia Também:  Comandante diz que vai retirar das ruas PMs com problemas psicológicos

Para o Tribunal, há indícios de falhas graves na justificativa dos valores e na formação dos preços. A Corte apontou ausência de pesquisa de mercado consistente, possível sobrepreço e desrespeito a recomendações técnicas internas.

Inexigibilidade sob questionamento

A contratação foi feita pela Secretaria de Turismo (Setur/DF) por inexigibilidade de licitação, mecanismo previsto em lei, mas que exige justificativa técnica robusta e comprovação de inviabilidade de concorrência.

Segundo a representação acolhida pelo TCDF, esses requisitos não teriam sido devidamente comprovados. A decisão liminar, proferida pelo presidente da Corte, conselheiro Manoel de Andrade, e referendada pelo plenário, impede o pagamento até que os fatos sejam esclarecidos.

Prioridades invertidas?

O episódio reacende críticas à gestão Ibaneis sobre a definição de prioridades orçamentárias. Em um cenário de desafios na saúde pública, infraestrutura urbana e transporte, a destinação de quase R$ 1 milhão para um espaço de entretenimento exclusivo levanta questionamentos sobre moralidade administrativa e sensibilidade política.

A Setur afirma que atuou com transparência e que todos os procedimentos legais foram observados. No entanto, a suspensão do pagamento pelo órgão de controle indica que, ao menos preliminarmente, os argumentos não convenceram os auditores.

Leia Também:  PicPay descontou R$ 81,7 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025

Mais do que um camarote, o caso simboliza uma discussão maior: qual é o limite entre promoção institucional e ostentação com recursos públicos?

A resposta agora depende das explicações formais do governo e da análise técnica definitiva do TCDF. Até lá, o luxo permanece sob suspeita e o contribuinte, atento à conta.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide