Categorias denunciam anos sem valorização e cobram envio urgente de projeto de reestruturação antes do prazo eleitoral
Profissionais da saúde pública do Distrito Federal decidiram cruzar os braços na próxima segunda-feira, 6 de abril, em um movimento que promete impactar o atendimento em hospitais e unidades básicas. A mobilização inclui um ato em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo local, a partir das 9h.
A paralisação foi definida em assembleias realizadas na quarta-feira (1º) e reúne diversas categorias, como farmacêuticos, biomédicos, psicólogos e servidores da carreira de Gestão e Assistência Pública à Saúde (GAPS). Também devem aderir enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e odontólogos. A expectativa dos organizadores é de que mais de 3 mil profissionais participem do ato.
Com a adesão ampla, o funcionamento da rede pública deve ser diretamente afetado, atingindo tanto hospitais quanto Unidades Básicas de Saúde (UBSs), especialmente em atendimentos ambulatoriais e serviços não emergenciais.
Pressão por valorização e prazo limite
O principal ponto de tensão entre os servidores e o Governo do Distrito Federal (GDF) é a falta de reajustes salariais e de reestruturação das carreiras. De acordo com entidades sindicais, algumas categorias estão há mais de uma década sem recomposição salarial, em certos casos, há 13 anos sem reajuste.
A situação é ainda mais crítica para servidores da GAPS, cuja última reestruturação teria ocorrido em 2008. O cenário levou o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília a convocar a paralisação após o cancelamento de reuniões consideradas decisivas com o Executivo local.
Além da questão salarial, há um fator de urgência: o prazo legal para envio de projetos de reajuste e reestruturação se encerra em 7 de abril, por conta das restrições do calendário eleitoral de 2026. Sem o encaminhamento até essa data, qualquer medida ficaria inviabilizada no curto prazo.
Críticas ao tratamento dado pelo governo
Os sindicatos também criticam o que classificam como tratamento desigual por parte do governo. Segundo representantes das categorias, outras áreas do serviço público, como setores ligados ao Departamento de Trânsito do Distrito Federal e às forças de segurança, tiveram reajustes aprovados recentemente com maior celeridade.
Para os profissionais da saúde, a diferença de tratamento evidencia uma escolha política. “Não é falta de prazo, é prioridade”, afirmam lideranças sindicais, que cobram isonomia entre as carreiras do funcionalismo.
Negociação e próximos passos
Apesar do tom mais duro, o movimento ainda não é considerado uma greve por tempo indeterminado. A estratégia inicial é forçar a abertura de diálogo direto com o governo. Está prevista uma reunião com o presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz, no mesmo dia da paralisação.
Caso não haja avanço nas negociações, novas assembleias devem ser convocadas, e a possibilidade de ampliação do movimento, inclusive com paralisações mais longas, não está descartada.
A paralisação desta segunda-feira surge, assim, como um teste de força entre servidores e governo, em um momento sensível marcado pelo calendário eleitoral e pela pressão crescente por valorização no serviço público da saúde.























