O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), elevou o tom contra a articulação do próprio partido em Mato Grosso e afirmou que prefere ser expulso da legenda a apoiar a deputada estadual Janaina Riva (MDB) como candidata ao Senado na chapa encabeçada pelo Partido Liberal nas eleições de 2026.
A declaração foi feita após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, fechar um acordo político para que Janaina seja a segunda candidata ao Senado ao lado do deputado federal José Medeiros (PL).
Em publicação nas redes sociais, Abilio deixou claro que não aceitará caminhar ao lado do MDB, mesmo que a decisão seja oficializada pela direção nacional do partido.
“Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT, por fidelidade partidária tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim. Ou me libera, ou tolera ou me expulsa. Com PT e MDB eu não vou”, escreveu o prefeito.
Em outro trecho da manifestação, reforçou a posição:
“Não estarei com o MDB.”
Críticas ao MDB
Ao justificar sua resistência, Abilio lembrou que diversos adversários históricos dos prefeitos do PL em Mato Grosso pertencem ao MDB e afirmou que seria incoerente dividir o mesmo palanque com o partido.
Entre os nomes citados estão o deputado estadual Eduardo Botelho, adversário de Abilio na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, além de Kalil Baracat, ex-prefeito de Várzea Grande. O prefeito também mencionou lideranças municipais do MDB que enfrentaram candidatos do PL em Rondonópolis, Primavera do Leste e outros municípios.
Segundo ele, as disputas políticas travadas nas últimas eleições impedem uma aliança natural entre as duas legendas.
“Não posso ser incoerente. O Botelho que foi meu oponente em Cuiabá e fala mal de mim e do Bolsonaro, está no MDB. O Thiago, que foi oponente do Cláudio em Rondonópolis, está no MDB. O Léo, que foi contra o Manich em Primavera do Leste, está no MDB. O Khalil, que foi contra a Flávia em Várzea Grande, está no MDB”, escreveu.
O prefeito ainda criticou a mudança partidária de sua ex-vice-prefeita para o MDB, afirmando que ela também passou a criticá-lo e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Acordo nacional
A reação de Abilio ocorre após reunião realizada no domingo (2), quando Valdemar Costa Neto confirmou o entendimento para que Janaina Riva componha a chapa ao Senado ao lado de José Medeiros, ampliando a aliança da oposição ao grupo do governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos).
O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou que o objetivo é consolidar um bloco de oposição em Mato Grosso. Segundo ele, além do apoio de Janaina Riva, o grupo já conta com o senador Jayme Campos (União Brasil) e busca atrair também o Podemos, presidido no Estado por Max Russi.
Racha exposto
As declarações de Abilio evidenciam um novo foco de tensão dentro do Partido Liberal em Mato Grosso. Enquanto a direção nacional trabalha para ampliar a base de apoio por meio de alianças com outras siglas, o prefeito de Cuiabá rejeita qualquer composição com o MDB e afirma que não abrirá mão de sua posição, mesmo que isso resulte em punições partidárias ou até na expulsão do PL.



















