Falta de médicos e enfermeiros revela caos estrutural na rede de saúde pública do DF, UBS de Planaltina conta apenas com enfermeiros e técnicos
A situação da saúde pública no Distrito Federal atingiu um ponto crítico, e a UBS 3 de Planaltina tornou-se o símbolo mais evidente do colapso. A unidade está há mais de seis meses sem médicos, deixando cerca de 8 mil moradores totalmente desassistidos na Atenção Básica. Enfermeiras e um técnico têm assumido sozinhos consultas, coleta de exames e atendimento de crônicos tarefas que extrapolam o limite seguro para a categoria.
Além da falta de profissionais, a unidade sofre com estruturas danificadas, sala de vacinação fechada por falta de técnicos e problemas no ar-condicionado, além de uma tenda de espera que alaga quando chove. Pacientes relatam filas, adiamentos de consultas e atrasos no acompanhamento pré-natal e de hipertensos e diabéticos.
Gestão Ibaneis e o Sucateamento da Rede
A crise não é isolada. A precarização se aprofundou após o governo Ibaneis determinar um contingenciamento de R$ 1 bilhão, incluindo R$ 342 milhões retirados do Fundo de Saúde — medida que reduziu ainda mais a capacidade de contratação. Entidades e parlamentares acusam o governo de desmonte deliberado da rede para justificar terceirizações e parcerias privadas.
Enquanto isso, milhares de aprovados seguem aguardando nomeação. Na enfermagem, por exemplo, o concurso de 2022 tem 4.995 candidatos ainda não convocados, apesar do déficit evidente.
Déficit Generalizado de Profissionais
Segundo o Sindicato dos Enfermeiros do DF (SindEnfermeiros), faltam mais de 1,8 mil enfermeiros na rede. As carências são graves:
- HRC (Ceilândia): 146 enfermeiros a menos (51% da escala descoberta)
- HRL (Paranoá): 103 a menos (49,5%)
- HRS (Sobradinho): 44% de déficit
Na medicina, o cenário é ainda pior: o DF registra um déficit de 5 mil médicos, número equivalente ao total de profissionais ativos. Mesmo sendo a unidade da Federação com maior concentração de médicos por habitante, o governo não consegue atrair nem manter profissionais no SUS local.
Judicialização e Falta de Respostas
Diante da omissão do Executivo, o Ministério Público do Trabalho e outros órgãos ajuizaram ações exigindo plano de recomposição de equipes. As decisões judiciais, porém, continuam sem impacto significativo no cotidiano das unidades.
A crise, que se arrasta e se aprofunda, mostra que a saúde do DF carece de planejamento, investimento e políticas estruturantes — enquanto a população de Planaltina, e de todo o Distrito Federal, paga o preço da falta de médicos, enfermeiros e de gestão.























