A explosão das investigações envolvendo o Banco Master no Congresso Nacional atingiu em cheio o governo do Distrito Federal e acendeu um alerta máximo no Palácio do Buriti. À medida que as CPIs avançam em Brasília, cresce também a pressão política sobre o governador Ibaneis Rocha (MDB), cujo governo se vê novamente na linha de tiro por causa da atuação do BRB banco público distrital — no centro das suspeitas de fraudes bilionárias.
O movimento ganhou força após o senador Eduardo Girão (Novo-CE) conseguir, em tempo recorde, 33 assinaturas para instalar uma CPI no Senado, protocolada na quarta-feira (26). A coleta durou apenas dois dias. “É dever moral do Senado investigar isso. São bilhões em fraudes”, afirmou o parlamentar, ressaltando que não é a primeira vez que escândalos envolvendo o sistema financeiro orbitam o poder público.
Girão foi direto ao ponto: quer explicações claras sobre eventuais conexões políticas que permitiram a compra do Banco Master pelo BRB, operação considerada nebulosa por aliados e opositores. “Precisamos entender esses jatinhos, quem levou quem, quando, para onde”, disparou.
Enquanto o Senado acelera, a Câmara dos Deputados tenta não ficar atrás: o requerimento de CPI apresentado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já reúne 71 das 171 assinaturas necessárias. Mesmo assim, enfrenta a conhecida fila de CPIs na Casa.
E o que tudo isso significa para Ibaneis?
Nos bastidores da Câmara Legislativa do DF, a leitura é quase unânime: o avanço das investigações em nível federal aumenta a temperatura política sobre o governador. O BRB, que deveria ser motivo de orgulho institucional, virou uma bomba-relógio dentro do governo distrital.
Parlamentares locais admitem reservadamente que o escândalo amplia a disposição — antes tímida de discutir um eventual pedido de impeachment de Ibaneis Rocha. O tema, que antes parecia distante, agora começa a circular com naturalidade entre deputados, especialmente após a repercussão nacional das suspeitas envolvendo o banco público do DF.
Se a pressão política continuar crescendo, o Legislativo distrital pode ser empurrado para um movimento que o governador sempre acreditou estar fora de cogitação.
Um governo sob desgaste recorrente
O cenário agrava ainda mais o desgaste acumulado de Ibaneis Rocha, que coleciona crises desde o início do mandato da intervenção federal na segurança pública após os atos de 8 de janeiro às sucessivas turbulências administrativas. Agora, com o BRB no epicentro de um escândalo bilionário, a blindagem política do governador começa a apresentar rachaduras visíveis.
Mesmo aliados reconhecem, ainda que em off, que o governo está numa posição “extremamente desconfortável” e que a insistência em minimizar o problema pode sair muito caro. O DF, afinal, observa perplexo seu banco público tornar-se protagonista de uma crise com repercussão nacional, abrindo espaço para questionamentos sobre gestão, responsabilidade e controle político.
A tempestade chegou ao Buriti
Com duas CPIs já ganhando corpo em Brasília e um ambiente político cada vez mais contaminado pelas suspeitas envolvendo o BRB, é evidente que a crise deixou de ser apenas financeira tornou-se institucional e, sobretudo, política.
Resta a Ibaneis tentar evitar que o escândalo se transforme no maior desafio de seu governo. Mas, ao que tudo indica, o cerco está fechando, e o governador terá dificuldade para se manter distante de uma crise que, queira ou não, envolve diretamente sua gestão.






















