Distrito Federal

Escândalo Banco Master expõe fragilidade do poder no DF e ameaça sucessão de Ibaneis e Celina em 2026

Foto: Breno Esaki/Metrópoles

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Crise financeira no BRB expõe fragilidades do governo do DF, racha a base aliada e coloca a sucessão de 2026 em risco

O escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas um caso financeiro para se tornar um divisor de águas na política do Distrito Federal. O que parecia uma operação bancária mal-sucedida evoluiu para uma crise institucional que atinge o coração do Banco de Brasília (BRB) e coloca sob risco não apenas o governo Ibaneis Rocha (MDB), mas também o projeto de poder desenhado para 2026, com a vice-governadora Celina Leão (PP).

A dimensão do problema extrapola cifras bilionárias. O caso expõe a simbiose entre decisões técnicas e interesses políticos, fragilizando a narrativa de gestão responsável construída pelo Palácio do Buriti ao longo dos últimos anos.

Um rombo que vai além dos números

As investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero indicam que o BRB adquiriu ativos do Banco Master que teriam sido apresentados como sólidos, mas que carregavam elevado grau de risco. A suspeita é de uma sofisticada “engenharia contábil”, capaz de mascarar prejuízos e transferir passivos de uma instituição privada para um banco controlado pelo poder público.

Estimativas apontam que o impacto financeiro pode alcançar R$ 12 bilhões, valor que, mesmo em cenários mais conservadores, já se mostra suficiente para comprometer seriamente a saúde do BRB. Auditorias preliminares mencionam perdas de ao menos R$ 5 bilhões, cifra superior ao patrimônio líquido do banco no encerramento de 2025. Em termos práticos, trata-se de um abalo estrutural, não de um tropeço pontual.

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Celina Leão e o peso da herança política

Embora não figure formalmente entre os alvos de pedidos de impeachment, Celina Leão emerge como uma das figuras politicamente mais afetadas pelo escândalo. Vice-governadora e principal aposta do grupo governista para a sucessão de Ibaneis, ela passa a carregar o ônus de integrar um governo cuja principal vitrine institucional, o BRB, se encontra sob suspeita.

O problema central não é jurídico, mas político. A crise mina a principal estratégia de Celina: a defesa da continuidade administrativa. Em um ambiente eleitoral cada vez mais sensível a temas como governança, transparência e responsabilidade fiscal, torna-se difícil sustentar alianças e apoios com um banco estatal no centro de uma investigação bilionária.

Nos bastidores, a avaliação é clara: ainda que não tenha participado diretamente das decisões, Celina corre o risco de herdar o desgaste integral de um governo acuado.

Base rachada e oposição em ofensiva

O escândalo acelerou movimentos silenciosos dentro da base aliada. O PL, peça-chave do atual arranjo político local, já sinaliza a possibilidade de se afastar de Ibaneis Rocha caso o custo político se torne insustentável. A prioridade seria preservar Celina Leão como alternativa viável ao governo e, paralelamente, proteger o projeto eleitoral de Michelle Bolsonaro ao Senado.

Do outro lado, a oposição encontrou no caso Banco Master um símbolo poderoso. Lideranças como Leandro Grass (PT) exploram o episódio como evidência de uma relação promíscua entre o poder público e interesses financeiros privados, mirando diretamente a vice-governadora como parte indissociável do grupo no poder.

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Versões conflitantes e o risco do dinheiro público

A tentativa de Ibaneis Rocha de se distanciar das decisões do BRB esbarra em contradições relevantes. Enquanto o governador afirma que agiu com “excesso de confiança” e minimiza seu envolvimento, o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, declarou à Polícia Federal que mantinha contato frequente e sistemático com o chefe do Executivo, sustentando que uma operação dessa magnitude jamais ocorreria sem ciência do acionista controlador, o Governo do DF.

Hoje, o novo comando do BRB corre contra o tempo para apresentar ao Banco Central um plano de recomposição de liquidez estimado em R$ 5 bilhões. A hipótese de aporte direto de recursos públicos é tratada como um cenário catastrófico, sobretudo em ano pré-eleitoral, quando qualquer resgate bancário tende a ser lido como socialização de prejuízos privados.

Uma sucessão sob risco real

O caso Banco Master transformou a corrida de 2026 em um terreno instável. Seja por meio de um processo de impeachment, seja pelo desgaste contínuo da imagem do governo, o escândalo impôs uma ruptura no projeto de poder construído desde 2018.

Mais do que uma crise bancária, trata-se de uma crise de confiança. E, na política, confiança perdida raramente é recuperada a tempo de uma eleição. O futuro de Ibaneis Rocha, que sonha com o Senado, e de Celina Leão, que busca o Palácio do Buriti, permanece suspenso, não por falta de ambição, mas pelo peso de um rombo que insiste em crescer.

 

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