A concessão de uma licença ambiental para uma mineradora ligada ao filho do governador de Mato Grosso reacendeu o debate sobre transparência e possíveis conflitos de interesse na gestão pública. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA/MT) tornou pública a emissão da Licença de Operação (LO nº 336902/2025) para a empresa Greencal Extração de Minérios LTDA, autorizando a atividade de extração de calcário/dolomita e o beneficiamento associado no município de Rosário Oeste.
O documento, publicado em 19 de dezembro de 2025, integra uma série de autorizações concedidas pela Superintendência de Infraestrutura, Mineração, Indústria e Serviços da SEMA para diversos empreendimentos no estado. No entanto, o caso específico da Greencal chamou atenção devido à composição societária da empresa.
Com capital social declarado de R$ 20 milhões, a mineradora possui entre seus sócios o empresário Luis Antonio Taveira Mendes, filho do governador de Mato Grosso. De acordo com dados cadastrais da Receita Federal, ele aparece como administrador e representante legal da Sollo Mineração S/A, empresa que integra o quadro societário da Greencal.
A participação de um familiar direto do chefe do Executivo estadual em um empreendimento que depende de licenciamento ambiental do próprio governo levanta questionamentos sobre a necessidade de maior rigor na transparência dos processos e na prevenção de eventuais conflitos de interesse.
Especialistas em governança pública costumam apontar que, mesmo quando não há ilegalidade formal, situações envolvendo parentes de autoridades em negócios que dependem de decisões do poder público exigem atenção redobrada. Isso porque a proximidade com o governo pode gerar dúvidas sobre a isenção dos procedimentos administrativos.
Outro ponto que tem sido alvo de críticas é a rapidez e a recorrência de licenças ambientais concedidas para empreendimentos ligados ao setor mineral no estado. Organizações ambientalistas e entidades da sociedade civil têm defendido que o processo de licenciamento seja conduzido com total publicidade e rigor técnico, principalmente quando envolve atividades potencialmente impactantes ao meio ambiente.
Procurada, a Secretaria de Meio Ambiente afirma que o licenciamento ambiental segue critérios técnicos e legais estabelecidos na legislação vigente, sem qualquer tipo de favorecimento. A pasta sustenta ainda que a análise dos processos é realizada por equipes técnicas independentes.
Ainda assim, o episódio reforça a discussão sobre a necessidade de mecanismos mais robustos de controle e transparência quando interesses privados de familiares de autoridades públicas se cruzam com decisões administrativas do próprio governo. Para críticos, a confiança da população nas instituições depende justamente da garantia de que processos como esse estejam livres de qualquer suspeita de privilégio ou influência política.

























