MATO GROSSO

Lúdio aciona TCE para investigar contratos de R$ 403 milhões sem licitação nas obras do BRT

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O deputado estadual Lúdio Cabral protocolou nesta segunda-feira (8) uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso solicitando auditoria e apuração de possíveis irregularidades em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para a conclusão das obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande.

Os contratos questionados somam R$ 403,5 milhões e foram celebrados por meio de dispensas de licitação. Segundo o parlamentar, embora as obras devam continuar normalmente para evitar novos prejuízos à população, é necessário que os órgãos de controle investiguem a legalidade das contratações.

“Temos cobrado a celeridade das obras e fiscalizado o andamento do BRT desde o início. Queremos que o modal seja concluído o mais rápido possível para acabar com o sofrimento da população que usa o transporte público. Contudo, eventuais irregularidades precisam ser devidamente apuradas”, afirmou Lúdio.

Os contratos analisados envolvem três lotes distintos. O primeiro, no valor de R$ 155,1 milhões, foi firmado com um consórcio formado pelas empresas Lotufo Engenharia e Construções, Guaxe Construtora e Encomind Engenharia para a conclusão de obras remanescentes de infraestrutura. Já os outros dois contratos, que totalizam R$ 248,4 milhões, foram assinados diretamente com a Lotufo Engenharia para a construção das estações, terminais e do Centro de Controle Operacional (CCO) do sistema.

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A representação destaca que o contrato original do BRT, assinado em 2022 e avaliado em R$ 502,9 milhões, foi rescindido em março de 2025. Para o deputado, a situação emergencial decorrente da paralisação da obra não pode servir indefinidamente como justificativa para novas contratações sem concorrência pública.

No pedido encaminhado ao TCE, Lúdio solicita a preservação de todos os documentos relacionados às contratações e requer a realização de auditoria ou inspeção detalhada nos processos. O parlamentar também pede que a Sinfra apresente um cronograma de futuras licitações para as próximas etapas do empreendimento.

Outro ponto que chamou a atenção do deputado é a diferença de valores em duas dispensas de licitação para a construção das estações do BRT. A primeira contratação, realizada em agosto de 2025, previa custo estimado de R$ 68,6 milhões. Menos de três meses depois, uma nova dispensa foi lançada para o mesmo objeto com valor estimado em R$ 120 milhões, quase o dobro do montante inicial.

Segundo a representação, não foram identificadas mudanças substanciais no projeto que justificassem um aumento tão expressivo em um intervalo tão curto de tempo.

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“O documento aponta que não há, em análise preliminar, alterações relevantes na abrangência das obras, nos quantitativos ou na estrutura do empreendimento que expliquem a elevação orçamentária”, destaca o texto encaminhado à Corte de Contas.

Além da auditoria, o deputado pede que futuras contratações emergenciais relacionadas ao BRT somente ocorram mediante comprovação de fatos novos que justifiquem a dispensa de licitação, observando os limites estabelecidos pela Lei de Licitações e a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O processo foi distribuído ao conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto, que ficará responsável pela análise inicial do caso.

A investigação poderá esclarecer a regularidade das contratações emergenciais e garantir maior transparência na aplicação dos recursos públicos destinados a uma das maiores obras de mobilidade urbana de Mato Grosso.

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