Enquanto o governo de Mauro Mendes insiste em vender Mato Grosso como símbolo de prosperidade econômica, os dados oficiais revelam uma realidade bem menos celebratória e profundamente desigual. Levantamento recente da Fundação João Pinheiro, com base em informações do IBGE e do CadÚnico, coloca o estado entre os cinco piores do Brasil em déficit habitacional proporcional, com dados referentes a 2023.
Mais de 12% dos domicílios mato-grossenses vivem em situação de déficit habitacional. Isso significa famílias amontoadas em moradias improvisadas ou rústicas, casas sem condições mínimas de segurança e salubridade, além de milhares de trabalhadores urbanos esmagados pelo custo excessivo do aluguel. Em outras palavras, o crescimento econômico tão exaltado pelo Palácio Paiaguás não chega à porta da casa porque, para muitos, essa porta sequer existe.
O dado é ainda mais grave quando confrontado com o discurso oficial. Mato Grosso ostenta superávit fiscal, protagonismo no agronegócio, recordes de exportação e grandes obras de infraestrutura. Mesmo assim, falha em garantir um direito básico previsto na Constituição: moradia digna. Quando há dinheiro em caixa, mas falta casa para o povo, o problema não é orçamento é escolha política.
Desde o início de sua gestão, Mauro Mendes reduziu a política habitacional a anúncios pontuais, programas de alcance limitado e parcerias que não enfrentam o problema estrutural. O Estado se afastou de uma política pública robusta de habitação popular, abandonando especialmente as famílias de baixa renda que não conseguem acessar financiamento imobiliário nem arcar com os aluguéis inflacionados das cidades que crescem sem planejamento.
O modelo de desenvolvimento defendido pelo atual governo é excludente. Prioriza grandes produtores, empreiteiras e interesses do mercado imobiliário, enquanto empurra trabalhadores para periferias precárias, ocupações irregulares e moradias improvisadas. O déficit habitacional não é um acidente: é consequência direta de um projeto que concentra renda, terra e poder.
Mais grave ainda é o silêncio do governo diante dos números. Não há autocrítica, não há plano emergencial, não há metas claras para reduzir o déficit. A habitação simplesmente deixou de ser prioridade. Em um estado que arrecada bilhões, a ausência de uma política habitacional consistente soa menos como incompetência e mais como descaso.
Os dados da Fundação João Pinheiro desmontam a propaganda oficial e escancaram a contradição central do governo Mauro Mendes: um Mato Grosso rico nos gráficos e pobre na vida real. Um estado onde o PIB cresce, mas o direito à moradia encolhe. Onde se exporta soja para o mundo, mas se nega teto digno a quem produz a riqueza.
Sem mudança de rumo, o déficit habitacional continuará sendo a face mais cruel de um governo que escolheu governar para poucos e virar as costas para muitos.
























