“não precisa de equipe”

Prefeito Abílio Brunini rebaixa vice, expõe machismo político e esvazia a própria gestão

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A crise instalada no Palácio Alencastro deixou de ser apenas um ruído administrativo para se transformar em um espetáculo constrangedor de autoritarismo, deboche e desprezo institucional. O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), ultrapassou todos os limites do decoro ao atacar publicamente a vice-prefeita Coronel Vânia Rosa (Novo), não apenas para responder a questionamentos legítimos sobre o orçamento, mas para humilhá-la politicamente diante da cidade.

Ao ironizar a cobrança de Vânia sobre o desaparecimento de R$ 3 milhões previstos para o gabinete da vice-prefeita em 2025  dinheiro público, vale ressaltar  Abílio optou pelo escárnio em vez da transparência. A frase “não é na maca que vai estar o dinheiro”, resgatando um episódio antigo e irrelevante para o debate orçamentário, revela muito mais sobre o estilo do prefeito do que sobre a atuação da vice. Trata-se de uma tentativa rasteira de desqualificação pessoal, incompatível com a responsabilidade do cargo que ocupa.

O prefeito não se limitou a desdenhar. Ele foi além: afirmou que a vice “não tem função administrativa”, “não executa despesas”, “não precisa de equipe” e que o cargo de vice “não é uma função, é apenas uma disponibilidade”. A declaração é grave. Além de juridicamente questionável, demonstra completo desconhecimento ou desprezo deliberado  pelo papel institucional da vice-prefeita, eleita junto com o prefeito pelo voto popular. Abílio não diminui apenas Vânia Rosa; ele agride o eleitor que escolheu a chapa.

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Ao tentar justificar a retirada de recursos do gabinete da vice com uma “nova estrutura administrativa”, Abílio foge do ponto central: por que não houve diálogo? Por que a vice-prefeita foi deixada à margem das decisões? Por que a resposta veio carregada de sarcasmo, ataques pessoais e acusações de incompetência? A postura do prefeito evidencia que o problema não é técnico, mas político e profundamente autoritário.

Mais grave ainda é o tom de superioridade com que Abílio atribui as críticas da vice à “falta de conhecimento sobre a lei orçamentária” e ao “mau assessoramento”. É a velha tática de quem não suporta ser questionado: desqualificar o interlocutor em vez de responder aos fatos. Em vez de prestar contas, o prefeito prefere atacar. Em vez de liderar, escolhe humilhar.

O episódio escancara um governo que confunde poder com arrogância e gestão com imposição. Abílio Brunini demonstra incapacidade de conviver com o contraditório, intolerância a questionamentos e total desprezo pela construção coletiva que uma administração pública exige. Uma gestão que isola a vice-prefeita, ridiculariza sua atuação e tenta apagá-la politicamente não é forte é frágil, insegura e personalista.

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Cuiabá não precisa de um prefeito que governa pelo deboche, pela intimidação e pelo desprezo institucional. Precisa de liderança, diálogo e respeito às instituições. O comportamento de Abílio Brunini, ao transformar uma divergência administrativa em humilhação pública, não apenas desmoraliza sua vice, mas apequena o cargo de prefeito e empobrece a democracia municipal.

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