Alan Guedes, de Dourados, contratou a Newtesc, cujo dono já foi personagem de reportagem sobre corrupção e propinas no Fantástico
Por meio do processo 009/2024, o prefeito douradense Alan Guedes (PP) sacramentou a dispensa de licitação 004/2024 para favorecer uma empresa suspeita, de nome já denunciado em escândalos de milionárias operações contratuais com prefeituras em Mato Grosso do Sul e outros estados. Pelo volume financeiro dos recursos a serem desembolsados pela Prefeitura de Dourados, este contrato já é visto como uma espécie de grossa e pontiaguda espinha atravessada na garganta dos bolsonaristas de Mato Grosso do Sul.
Com a sua caneta de prefeito e pré-candidato à reeleição, Guedes assinou e publicou no dia 03 de abril a dispensa de licitação para garantir um negócio de R$ 4 milhões 062 mil 029,71 à Newtesc Tecnologia e Comércio Ltda (CNPJ 23806552/0001-97). O objetivo: contratar serviços especializados de “Apoio ao software e hardware de controle Semafórico da marca Tesc/Newtesc do Município, contemplando o fornecimento e a atualização de hardware, software, periféricos, rede de comunicação de dados, elementos de conectividade e outros associados”, para atender a Agência Municipal de Transporte e Trânsito.

Poderia estar tudo correndo normal e legalmente para melhorar a rede de semáforos da cidade, se não fosse um item que põe a lisura do processo sob suspeita: a falta de idoneidade da empresa. O fato foi denunciado e reverberado pelo vereador Fábio Luís, também de um partido bolsonarista, o Republicanos, mas decidido a não compactuar com os desvios da função pública. Ele pede providências aos colegas e às instituições para que o contrato seja anulado e que o interesse do município e os cofres públicos sejam resguardados.
ROBÔS – De acordo com Fábio Luís, a inidoneidade da transação está clara pela presença de uma empresa já denunciada no “Fantástico” e outros veículos, com um sócio que opera até com outra firma para não despertar suspeitas. O vereador lembra que em 2022 Guedes fez a prefeitura pagar R$ 8,7 milhões em kits de robótica à Megalic. A empresa fez um contrato milionário com o governo federal, utilizando dinheiro do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional) para distribuir os mesmos materiais a sete municípios de Alagoas.
Agora – salienta Fábio – o sócio da Newtesc – empresa que já apareceu em reportagem no Fantástico em escândalos de propina e corrupção – é beneficiado pelo dinheiro dos contribuintes douradenses. Ele, segundo a matéria do programa global, já trabalhou em uma fabricante de radares e lombadas, e conhece bem o submundo dos negócios ilegais. Há uma rede de empresas para lucrar em várias frentes especializadas, uma delas a dos serviços do setor de trânsito.
A rede atua em várias regiões e estados: no Sul, Alagoas, São Paulo, Amazonas, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Tem acesso a registros e expedição de multas, e assim faz negócios lucrativos na venda do sistema para ser operado criminosamente com quem negocia o sumiço de infrações de trânsito, como denunciou o Fantástico. Este mesmo indivíduo, dono da Newtesc, foi quem capitaneou as tratativas bem sucedidas que asseguraram o contrato em Dourados, disse o vereador.

“Por qual razão, prefeito Alan Guedes, o senhor escolhe empresas manchadas e maculadas com envolvimento em corrupção”? – questionou Fábio Luís, na tribuna da Câmara Municipal. Ele chama a inexigibilidade de concorrência de “licitação de carona”, referindo-se também à compra dos robôs por R$ 8 milhões 753 mil numa transação relâmpago.




















