O Distrito Federal atravessa um dos períodos mais críticos da estiagem em 2026. Sem chuva há 54 dias consecutivos, a capital enfrenta os efeitos de uma massa de ar seco que reduz a umidade, eleva as temperaturas e deixa a vegetação do Cerrado altamente suscetível à propagação do fogo.
O cenário se reflete diretamente nos registros de incêndios. Dados do Governo do Distrito Federal apontam que, entre janeiro e 16 de agosto, foram contabilizadas 3.738 ocorrências de incêndios em vegetação. Somente nos primeiros 16 dias deste mês, foram registrados 1.012 casos, número que evidencia a intensificação das queimadas no auge da estiagem.
Julho também apresentou um volume elevado, com 1.096 ocorrências. Apesar da sequência de dias secos, o acumulado de 2026 até 16 de agosto ainda está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o DF havia contabilizado 4.346 incêndios em vegetação.
Parques e áreas de preservação ficam mais vulneráveis
O período de seca aumenta o risco principalmente em áreas de Cerrado, onde a vegetação ressecada se transforma em combustível para as chamas. Parques e unidades de conservação do DF estão entre os locais que exigem maior atenção das equipes de combate.
Entre as áreas atingidas estão os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos do Tororó e do Riacho Fundo.
Um dos episódios recentes ocorreu nas proximidades do Parque da Boca da Mata. O incêndio provocou uma extensa coluna de fumaça, visível de diferentes pontos do Sudoeste e do Guará, chamando a atenção de moradores.
Além da destruição da vegetação, os incêndios podem provocar perda de biodiversidade, degradação do solo e danos aos cursos d’água. A repetição das queimadas em períodos de estiagem também compromete a capacidade de recuperação dos ecossistemas.
Fumaça aumenta preocupação com a saúde
A estiagem prolongada não representa apenas uma ameaça ambiental. A fumaça produzida pelas queimadas deteriora a qualidade do ar e pode agravar problemas e desconfortos respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis.
Estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio que atingiu o Parque Nacional de Brasília, em 2024, já haviam demonstrado os impactos da poluição provocada pelo fogo sobre a população da capital.
Outro alerta é relacionado às queimadas provocadas de forma irregular. A prática pode configurar crime ambiental e resultar em multas que ultrapassam R$ 50 mil, dependendo da infração e dos danos provocados.
Operação reforça combate ao fogo
Diante do agravamento da estiagem, o Governo do Distrito Federal mantém a Operação Verde Vivo, coordenada com a participação do Corpo de Bombeiros.
Durante o período mais crítico, a estrutura prevista pode contar diariamente com até 169 combatentes, 35 viaturas, drones e aeronaves. Em situações de maior gravidade, o contingente pode ser reforçado com até mil profissionais para atuar diretamente no combate às chamas.
A estratégia também envolve ações de prevenção e monitoramento de áreas com maior risco de incêndio.
Enquanto a chuva não retorna de forma significativa, a combinação de vegetação seca, baixa umidade e altas temperaturas mantém o Distrito Federal em estado de atenção. O avanço dos incêndios em agosto mostra que a reta final do período seco deve continuar exigindo mobilização das equipes de emergência e cuidados redobrados da população.
O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) foi procurado para informar o total de áreas queimadas dentro das unidades de conservação em 2026, mas não havia apresentado resposta até a publicação desta reportagem.





















