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Suposto esquema coloca o advogado Eumar Novacki no centro da crise na recuperação judicial do grupo Pupin em MT

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Advogado é acusado de atuar dos dois lados do processo, manipular estratégias jurídicas e manter influência oculta por meio de parentes e associados

 

A recuperação judicial do Grupo Pupin, que envolve dívidas superiores a R$ 1 bilhão, ganhou contornos de escândalo após uma grave denúncia apresentada pela credora Agrimaque Peças Agrícolas Ltda.. No centro das acusações está o advogado Eumar Roberto Novacki, ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura durante o governo de Michel Temer e é grande aliado do ex-senador Blairo Maggi, o que o torna figura com forte trânsito político em Brasília e Mato Grosso.

Segundo a manifestação apresentada na 1ª Vara Cível de Campo Verde, Novacki teria atuado em um esquema de sobreposição de papéis, influenciando ao mesmo tempo a defesa dos devedores e a cobrança de um credor que, ao menos no papel, deveria estar em posição contraposta ao Grupo Pupin. Para a Agrimaque, as ações do advogado sugerem fraude processual, manipulação deliberada de decisões e um possível conluio jurídico estruturado para beneficiar o empresário José Pupin.

Atuação Dupla: A Base das Suspeitas Contra Novacki

A denúncia afirma que Novacki exerceu simultaneamente os seguintes papéis:

  • Advogado do devedor: assessorando José Pupin na recuperação judicial;
  • Advogado de credora extraconcursal: representando a Agropecuária Araguari Ltda., que cobra o cumprimento de um distrato envolvendo 70 mil sacas de soja.

Esse ponto é considerado o mais grave pela Agrimaque: segundo o Código Penal (art. 355), defender interesses opostos na mesma causa configura patrocínio infiel ou tergiversação — crimes que atentam contra a integridade do sistema judicial.

Além da atuação paralela, a credora questiona a própria origem do crédito da Araguari. Há suspeitas de que o título de cobrança possa ter sido simulado ou artificialmente constituído para garantir ao Grupo Pupin um tratamento privilegiado dentro da recuperação judicial. A lógica, segundo o documento, seria simples: criar um credor “controlado”, que litigaria para cumprir formalidades enquanto colaboraria com a estratégia da defesa.

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A Agrimaque afirma que, ao agir assim, Novacki teria estruturado um “circuito fechado de decisões favoráveis ao devedor”, usando o papel de advogado para direcionar o resultado dos embates judiciais.

Substabelecimento suspeito: a prima como ‘interposta’

Outra frente de possível fraude atribuída a Novacki envolve o substabelecimento de poderes para a advogada Renata Barcaro, descrita na denúncia como:

  • prima de Novacki;
  • funcionária e ex-sócia dele em uma empresa de construção civil;
  • profissional que atua no próprio escritório Novacki Sociedade de Advogados, em Brasília.

A Agrimaque sustenta que o substabelecimento “sem reserva de poderes” seria uma manobra para ocultar a presença de Novacki na causa, enquanto ainda permitiria que ele controlasse a estratégia processual pelos bastidores. Renata Barcaro aparece, segundo o documento, como uma “pessoa interposta”, permitindo que o advogado mantivesse o comando jurídico sem se expor diretamente — uma espécie de “laranja processual”.

O histórico profissional citado, que inclui a atuação de Barcaro no Intermat durante a gestão de Afonso Dalberto (delator na Operação Seven), é apontado como elemento que reforça uma rede de vínculos que teria sido reativada em benefício de Pupin.

Manipulação processual? Episódios levantam dúvidas

O documento apresentado pelos credores também levanta a hipótese de que Novacki teria influenciado processos de forma coordenada, valendo-se de sua atuação dupla para:

  • facilitar decisões que favorecessem a manutenção da RJ;
  • suavizar cobranças externas por meio de credores considerados “colaborativos”;
  • e criar impasses artificiais para retardar ou esvaziar recursos de credores independentes.

A denúncia afirma que a recuperação judicial se transformou em um ambiente “contaminado por vícios éticos e jurídicos irreparáveis”, supostamente produzidos por essa sobreposição de funções conduzida por Novacki.

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A Menção Explícita à Operação Sisamnes

A Agrimaque compara o episódio à Operação Sisamnes, que desvendou um esquema de venda de decisões judiciais e tráfico de influência no Judiciário de Mato Grosso.

Segundo a credora, não se trata de mera coincidência:

“Os padrões operacionais — vínculos pessoais, decisões alinhadas e ocupação simultânea de posições antagônicas — lembram fortemente o ambiente revelado pela Sisamnes.”

A petição sugere que Novacki teria reproduzido, em menor escala, práticas semelhantes às investigadas na operação, o que reforça o pedido de apuração criminal e disciplinar.

O que os credores exigem

Com base nas suspeitas, a Agrimaque pede:

  • intimação imediata de Novacki e dos advogados ligados a ele;
  • envio do caso ao Ministério Público e à OAB-MT;
  • declaração de falência do Grupo Pupin, por suposta inviabilidade moral, jurídica e cognitiva do processo.

A credora afirma que a RJ estaria “quebrada por dentro”, e que a condução jurídica, sob influência de Novacki, teria perdido qualquer aparência de regularidade.

A defesa de Novacki

O escritório Novacki Sociedade de Advogados nega todas as acusações e diz que:

  • o substabelecimento foi transparente e legal;
  • o cliente autorizou toda a negociação;
  • a denúncia é “uma tentativa antiética de criar factoides para tumultuar o processo”.

A defesa rechaça qualquer relação com fraude, manipulação processual ou conflito de interesse.

Um processo marcado por desconfiança e pressão

Enquanto a Justiça avalia os pedidos, o nome de Eumar Roberto Novacki permanece no epicentro da crise. O caso reacendeu discussões sobre ética profissional, influência política no meio jurídico e os limites da atuação em recuperações judiciais de grande porte.

Com acusações que vão de favorecimento estratégico a fraude deliberada, o episódio pode redefinir não apenas o futuro do Grupo Pupin, mas também o alcance da responsabilidade de advogados em litígios empresariais complexos.

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