Manancial em xeque: O plano de Ibaneis para salvar o BRB às custas da Serrinha do Paranoá

Foto: Divulgação/Preserva Serrinha

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Enquanto o Governo do Distrito Federal (GDF) oferece áreas de preservação ambiental para cobrir rombos financeiros, a Administração Regional do Lago Norte mantém um silêncio perturbador diante da ameaça de área verde da capital.

Brasília, 04 de março de 2026 – A Serrinha do Paranoá, um dos ecossistemas mais vitais e sensíveis do Distrito Federal, tornou-se a peça central de uma “negociata” perigosa capitaneada pelo governo de Ibaneis Rocha. Em uma tentativa desesperada de sanar as contas do Banco de Brasília (BRB)  abaladas por operações temerárias envolvendo o Banco Master e o Will Bank , o GDF incluiu a Gleba “A” da Serrinha (matrícula 125 888) na lista de bens públicos oferecidos como lastro para captar bilhões de reais.

A área em questão não é apenas um terreno vazio; é uma região estratégica que abriga mais de 100 nascentes catalogadas que abastecem o Lago Paranoá e garantem a segurança hídrica de Brasília. Especialistas e moradores denunciam que o projeto de lei enviado à Câmara Legislativa (CLDF) ignora a função ecológica da Serrinha, que funciona como um “seguro contra o racionamento” e pilar de estabilidade climática.

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Além do crime ambiental, paira a sombra da especulação imobiliária. Atualmente avaliada como área rural, a Serrinha poderia ter seu valor multiplicado exponencialmente se transformada no “Setor Taquari 2”, um projeto para 100 mil novos moradores que o GDF tenta emplacar há décadas, apesar da resistência técnica e popular. Críticos apontam que a subavaliação dos lotes no projeto atual pode esconder lucros astronômicos para o setor imobiliário em detrimento do patrimônio público.

Apesar do clamor da comunidade do Lago Norte, que se mobiliza através de abaixo-assinados digitais e movimentos como o “Preserva Serrinha”, a Administração Regional do Lago Norte mantém-se em silêncio. A omissão do administrador local é vista como uma traição aos moradores que, historicamente, trabalharam em parceria com a própria administração para recuperar nascentes e promover a produção orgânica na região.

Enquanto a comunidade exige que os deputados distritais se posicionem contra o que chamam de “futuro inviável”, o braço do governo no Lago Norte parece fechar os olhos para a problemática ambiental predatória que ameaça a recarga dos aquíferos e a qualidade da água que a população consome.

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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já havia recomendado, em anos anteriores, a suspensão de licenças para novos loteamentos na Serrinha, classificando-os como ambientalmente inviáveis sob os padrões atuais. O adensamento da bacia do Paranoá, sem técnicas modernas de “cidade sensível à água”, é apontado como um caminho direto para o colapso do sistema de abastecimento.

A estratégia de Ibaneis de usar a Serrinha para salvar o BRB é descrita por apoiadores da preservação como um “desatino” que coloca o lucro financeiro imediato acima da sobrevivência ambiental da capital. A população agora aguarda se o silêncio das autoridades locais será rompido ou se a Serrinha será, finalmente, entregue aos tratores para pagar a conta de uma administração financeira desastrosa.

 

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