Distrito Federal

Patrimônio público em risco: Ibaneis ignora apelos e mantém serrinha do Paranoá em “socorro” bilionário ao BRB

Foto: Lúcia Mendes

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Ibaneis Rocha mantém a Serrinha do Paranoá no pacote bilionário de socorro ao Banco de Brasília apesar das críticas ambientais

Em uma demonstração de intransigência política frente aos apelos da sociedade civil, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), confirmou que deve sancionar nesta terça-feira (10/3) o polêmico Projeto de Lei nº 2.175/2026. A medida, que visa recompor o patrimônio e a liquidez do Banco de Brasília (BRB) após o banco ser dragado pela crise e liquidação do Banco Master, coloca em xeque ativos valiosos da capital federal.

O ponto mais crítico e vergonhoso do projeto é a manutenção da Gleba A, na região da Serrinha do Paranoá, como parte do pacote de garantias. Mesmo sob forte pressão de moradores e ambientalistas, que realizaram atos em defesa da área, Ibaneis afirmou ter “convicção” em manter o terreno no projeto e descartou categoricamente a possibilidade de retirá-lo da proposta.

Um cheque em branco de R$ 6,6 bilhões

O projeto, aprovado na Câmara Legislativa com uma margem apertada (14 votos a favor e 10 contra), autoriza o GDF a buscar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões. Para viabilizar esse montante, o governo oferece um “menu” de ativos públicos, que inclui nove imóveis de estatais como Terracap, CEB e Caesb.

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A Serrinha do Paranoá, um terreno de 716 hectares pertencente à Terracap, é a joia da coroa desse sacrifício patrimonial, avaliada em impressionantes R$ 2,2 bilhões. Para justificar a entrega da área, o governo apoia-se em uma nota técnica da Terracap que alega, de forma questionável para especialistas, que o terreno não possui recursos hídricos e não está em Área de Proteção Ambiental (APA), classificando-o meramente como zona “urbana”.

Crise de gestão e retaliação política

A pressa em sancionar o projeto revela o desespero do Palácio do Buriti em estancar a sangria no BRB, cujas operações foram severamente afetadas pela liquidação da instituição de Daniel Vorcaro em novembro de 2025. No entanto, o custo dessa “salvação” não é apenas financeiro, mas também ético e democrático.

A postura de Ibaneis para garantir a aprovação foi marcada pela truculência política: o governador exonerou indicados de deputados que votaram contra o projeto, punindo parlamentares que questionaram o risco ao patrimônio público. Enquanto isso, vozes como a do deputado Fábio Félix já acionaram o Ministério Público para tentar barrar o que consideram uma ameaça direta aos bens da população.

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O que se vê é um governo que prefere colocar em risco áreas de preservação e bilhões em patrimônio público para cobrir buracos de gestões temerárias, ignorando o clamor popular e tratando bens comuns como fichas de aposta em um jogo financeiro de alto risco. Se a sanção se confirmar amanhã, Brasília perderá mais do que terrenos; perderá a confiança de que seu patrimônio é gerido com responsabilidade ambiental e transparência.

 

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