Mudança para o Centrad gera preocupação entre servidores e levanta debate sobre acesso aos serviços públicos

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Apresentada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) como uma medida para reduzir gastos com aluguéis e concentrar órgãos administrativos em um único espaço, a ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, já começa a gerar questionamentos entre servidores públicos e especialistas em gestão urbana. Embora a transferência seja defendida pelo governo como uma iniciativa de eficiência administrativa, críticos apontam que a mudança pode trazer impactos significativos para trabalhadores, usuários dos serviços públicos e para a dinâmica administrativa da capital. 

Após permanecer mais de uma década sem utilização efetiva, o complexo passará a abrigar inicialmente a Secretaria de Obras e Infraestrutura, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), a Casa Civil, a Casa Militar, a Secretaria de Governo e o próprio Gabinete da Governadora. 

Distância maior e rotina mais difícil para milhares de servidores 

Um dos principais pontos de preocupação envolve o deslocamento dos servidores públicos. Grande parte dos órgãos que serão transferidos atualmente funciona na área central de Brasília, próxima aos principais eixos de transporte e com acesso facilitado para trabalhadores que vivem em diferentes regiões administrativas. 

Com a mudança para Taguatinga, muitos servidores terão que percorrer trajetos mais longos diariamente, enfrentando trânsito intenso e aumento do tempo gasto em deslocamentos. Para quem reside no Plano Piloto, Lago Sul, Lago Norte, Paranoá, São Sebastião e outras regiões do eixo leste do DF, a alteração pode representar horas adicionais no trânsito ao longo da semana. 

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A mudança também deve gerar aumento de custos indiretos relacionados a combustível, transporte por aplicativo e estacionamento, especialmente para aqueles que não contam com linhas de transporte público eficientes até a região do Centrad. 

Centralização administrativa ou descentralização dos serviços? 

Embora o governo sustente que a concentração de secretarias em um único complexo aumentará a integração entre os órgãos, há quem veja um efeito contrário para o cidadão. 

Atualmente, muitos serviços administrativos e atendimentos institucionais estão concentrados no Plano Piloto, região que funciona como centro político e administrativo do Distrito Federal. A transferência para Taguatinga pode dificultar o acesso de representantes de entidades, empresários, prefeitos comunitários, parlamentares e cidadãos que frequentemente precisam se deslocar entre diferentes órgãos do governo. 

Na prática, o que é vendido como centralização administrativa pode significar uma descentralização dos serviços em relação ao centro político da capital, obrigando usuários a percorrer distâncias maiores para resolver demandas presenciais. 

Estrutura ainda demanda investimentos milionários 

Outro ponto que desperta críticas é o fato de o governo precisar investir valores expressivos para tornar o complexo plenamente funcional. Além das obras de recuperação predial, manutenção de elevadores, impermeabilização e revitalização das áreas externas, o GDF anunciou cerca de R$ 300 milhões em intervenções viárias para melhorar o acesso ao local. 

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Para especialistas, surge o questionamento sobre o real custo-benefício da operação. Embora a economia com aluguéis seja utilizada como principal justificativa para a mudança, parte dessa economia poderá levar anos para compensar os investimentos necessários em infraestrutura e mobilidade. 

Um projeto marcado por controvérsias 

O Centrad foi inaugurado em 2014 e desde então se tornou símbolo de uma das obras públicas mais controversas do Distrito Federal. O complexo permaneceu praticamente vazio durante mais de dez anos em razão de disputas judiciais, questionamentos contratuais e dificuldades financeiras. 

Agora, diante da necessidade de reduzir despesas e racionalizar a ocupação de imóveis públicos, o governo aposta na transferência de secretarias como solução para dar utilidade ao empreendimento. 

No entanto, à medida que os planos avançam, cresce também o debate sobre quem arcará com os custos reais da mudança. Para muitos servidores e usuários dos serviços públicos, a ocupação do Centrad pode representar não apenas uma alteração de endereço, mas uma transformação profunda na forma de acessar e prestar serviços à população do Distrito Federal.

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