UnDF enfrenta nova crise institucional com suspensão das eleições e risco de prolongamento da gestão provisória

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A Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia (UnDF) voltou ao centro de uma crise institucional após a suspensão temporária do processo eleitoral que definiria sua primeira reitoria eleita pela comunidade acadêmica. A decisão, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) nesta semana, interrompe por 30 dias todas as etapas do pleito e reacende o debate sobre autonomia universitária, democracia interna e a permanência de gestões provisórias na instituição. 

A suspensão ocorre em meio a questionamentos sobre a legalidade e a representatividade do edital eleitoral lançado em março. Entre os problemas apontados estão a ausência de critérios claros para a paridade entre docentes, técnicos e estudantes, além de dúvidas sobre o peso dos votos e a falta de um Conselho Universitário (Consuni) formalmente constituído para deliberar sobre impasses do processo. 

Embora a revisão das regras seja defendida por diferentes setores da comunidade acadêmica, a medida ganhou contornos mais amplos após o envio pelo Governo do Distrito Federal (GDF) do Projeto de Lei Complementar nº 102/2026 à Câmara Legislativa. O texto propõe ampliar significativamente o período de gestão pro tempore da universidade, permitindo que a administração provisória permaneça no comando até 2027. 

Universidade ainda não consolidou sua estrutura democrática 

Criada em 2021 como uma das principais apostas do GDF para a expansão do ensino superior público no Distrito Federal, a UnDF chega ao seu quinto ano de funcionamento sem ter realizado uma eleição definitiva para reitoria e sem consolidar plenamente seus órgãos colegiados superiores. 

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Desde sua fundação, entidades representativas de docentes, estudantes e servidores vêm denunciando atrasos na implementação da estrutura de governança prevista na legislação que instituiu a universidade. A ausência de instâncias permanentes de deliberação tem sido apontada como um dos principais entraves para o fortalecimento da autonomia universitária. 

A situação gerou sucessivos conflitos internos e alcançou seu ponto mais crítico entre 2025 e 2026. 

Greve expôs desgaste da antiga gestão 

No início deste ano, a universidade enfrentou uma greve docente que durou quase 50 dias. O movimento foi motivado por denúncias de falta de diálogo da administração anterior, além de divergências sobre a condução do processo eleitoral e das políticas acadêmicas. 

Uma das principais reivindicações dos professores era a saída da então reitora pro tempore, Simone Benck. A pressão levou o governo a promover uma mudança na direção da instituição em abril de 2026, nomeando Fernanda Marsaro dos Santos para assumir a gestão provisória. 

A substituição foi considerada um gesto de distensão e abriu caminho para o encerramento da paralisação, mediante compromissos assumidos pelo governo, entre eles a revisão do edital eleitoral e a retomada do diálogo com a comunidade universitária. 

Mandato provisório prolongado gera preocupação 

Apesar do reconhecimento de que o edital precisa ser aperfeiçoado, a possibilidade de estender a gestão provisória por mais um ano desperta resistência entre entidades representativas. 

O Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF) argumenta que a correção das regras eleitorais não deve servir de justificativa para adiar indefinidamente a escolha democrática da reitoria. Para a entidade, o principal desafio é concluir rapidamente as adequações necessárias e garantir a realização das eleições ainda dentro de um prazo razoável. 

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A preocupação é que uma universidade criada para ampliar o acesso ao ensino superior público permaneça, por mais tempo, sem uma direção legitimada pelo voto da comunidade acadêmica. 

Infraestrutura e expansão também alimentam insatisfação 

Além dos conflitos relacionados à governança, a universidade enfrenta críticas quanto à sua política de expansão física. A transferência de parte das atividades para um prédio alugado em Ceilândia gerou questionamentos de estudantes e professores, que apontam dificuldades de acesso, impactos na permanência estudantil e limitações estruturais. 

Os problemas reforçam a percepção de que a instituição ainda atravessa um processo de consolidação marcado por disputas administrativas, desafios orçamentários e indefinições sobre seu modelo de gestão. 

Comunidade acompanha próximos passos 

Nos próximos 30 dias, a administração da UnDF deverá apresentar propostas para corrigir as falhas identificadas no processo eleitoral. Paralelamente, a tramitação do PLC nº 102/2026 na Câmara Legislativa promete ampliar o debate sobre os limites da gestão provisória e o futuro da autonomia universitária no Distrito Federal. 

Enquanto isso, docentes, estudantes e servidores acompanham com atenção os desdobramentos da crise, temendo que a suspensão temporária das eleições se transforme em mais um capítulo de um processo que, cinco anos após a criação da universidade, ainda não conseguiu consolidar plenamente seus mecanismos democráticos de gestão.

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