A distribuição de verbas publicitárias do Governo do Distrito Federal voltou ao centro de uma polêmica após a divulgação de levantamentos que apontam possíveis irregularidades na destinação de recursos da Secretaria de Comunicação (Secom-DF) a blogs e portais de baixa audiência. Os dados revelam situações em que sites com alcance reduzido receberam valores expressivos em publicidade oficial, levantando suspeitas sobre a manipulação de métricas e a efetividade dos mecanismos de fiscalização adotados pelo governo.
Segundo os levantamentos, alguns portais vinculados à Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP) teriam apresentado números de audiência incompatíveis com os valores recebidos. Em um dos casos mais emblemáticos, o portal Doa a Quem Doer recebeu mais de R$ 154 mil em publicidade institucional, apesar de registrar média mensal de apenas 803 visualizações. A proporção representa um custo estimado de R$ 16,07 por acesso, valor muito superior ao praticado no mercado digital.
Outros portais também aparecem na lista de beneficiários de recursos públicos com desempenho considerado modesto. O Lupa Política teria alcançado custo superior a R$ 9 por visualização, enquanto DF Mobilidade, Radar DF e Tudo Ok Notícias registraram valores igualmente elevados quando comparados aos índices de audiência apresentados.
As suspeitas vão além da simples discrepância entre audiência e faturamento. Há denúncias de que familiares de blogueiros teriam sido utilizados como responsáveis formais por novos sites, ampliando a capacidade de captação de verbas públicas por um mesmo grupo. Caso comprovada, a prática poderia caracterizar uma forma de pulverização artificial dos contratos de publicidade institucional.
Outro aspecto que chama atenção é o baixo volume de conteúdo produzido por parte dos portais contemplados. Em diversos casos, a publicação de matérias é limitada a poucos textos por semana, frequentemente reproduzindo conteúdos oficiais da Agência Brasília. O cenário levanta questionamentos sobre os critérios adotados para a seleção dos veículos e sobre o retorno efetivo proporcionado aos cofres públicos.
A situação ocorre sob a gestão do secretário de Comunicação, Weligton Moraes, e tem gerado cobranças por maior transparência nos contratos firmados pela Secom-DF. Críticos apontam que a falta de auditorias independentes e de mecanismos rigorosos de verificação das métricas de audiência pode ter permitido que distorções permanecessem sem contestação durante anos.
Além dos contratos mantidos com a Secom, os mesmos portais também teriam recebido publicidade de outros órgãos públicos e empresas estatais do Distrito Federal, entre eles o BRB, a Terracap e a Adasa, ampliando o alcance financeiro do modelo agora questionado.
Diante das denúncias, especialistas em gestão pública defendem a abertura de investigações pelos órgãos de controle, como o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), para apurar se houve fraude na apresentação dos dados de audiência e eventual prejuízo aos cofres públicos.
O caso reacende o debate sobre a necessidade de critérios técnicos mais rigorosos para a distribuição de publicidade oficial, especialmente em um momento de restrições orçamentárias e crescente cobrança por eficiência na aplicação dos recursos públicos. Enquanto as suspeitas não são esclarecidas, permanece a dúvida sobre quanto dinheiro público pode ter sido direcionado a veículos com alcance reduzido e retorno questionável para a sociedade.






















