colapso operacional

Caos na Educação Digital Municipal: Quem São os Responsáveis ?

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O início do ano letivo de 2025, que deveria marcar um avanço no processo de informatização da educação municipal de Campo Grande, escancarou uma série de falhas graves na implantação do sistema Diário Online. A responsabilidade recai, de forma específica, sobre o setor de gestão de sistemas do órgão técnico responsável pela tecnologia na Prefeitura de Campo Grande, cujas decisões equivocadas comprometeram o funcionamento das escolas e expuseram a comunidade escolar a um verdadeiro colapso operacional.

Alterações irresponsáveis e desmonte da equipe técnica

Em ruptura com práticas consolidadas, a nova chefia do setor de gestão de sistemas promoveu alterações profundas e apressadas no projeto de implantação do Diário Online, ignorando etapas essenciais de testes, treinamento e homologação. Uma das medidas mais questionáveis foi a demissão sumária de técnicos experientes, servidores de carreira que conheciam profundamente a plataforma – desenvolvida internamente, sem custos para o município. Esses profissionais, conhecidos como “prata da casa”, foram afastados, minando o capital intelectual acumulado e deixando a rede escolar à mercê de falhas previsíveis.

Piora dos problemas e proliferação de erros

A desestruturação da equipe técnica resultou em um sistema vulnerável e instável. Em 2024, um projeto-piloto chegou a ser realizado em ambiente de homologação com apenas seis escolas, sem testar integrações críticas e rotinas reais do dia a dia escolar. Apesar disso, em 2025, o setor de gestão de sistemas optou pela implantação em larga escala, sem ampliar o período de testes ou garantir capacitação plena para diretores, coordenadores, secretários e, principalmente, professores.
O resultado foi um festival de erros e gargalos operacionais: apenas nos primeiros meses de 2025, foram registrados 23 chamados distintos, com relatos de problemas que vão desde bloqueios de lançamento de frequência e duplicidade de registros até falhas graves como desaparecimento de notas, bloqueios indevidos de perfis de professores e inconsistências entre módulos do sistema. Dos chamados abertos, 11 permanecem sem solução definitiva, mesmo após dias ou semanas de espera.

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Principais falhas reportadas pelas escolas:

• Erros no planejamento de aulas e frequência;
• Campos bloqueados para alunos e professores sem justificativa;
• Dados duplicados e desaparecimento de registros;
• Mensagens de erro ao salvar ou editar planejamentos;
• Problemas de integração entre diferentes módulos do sistema;
• Falhas graves em avaliações, listas de alunos e emissão de relatórios.
Esses erros relatados impactam diretamente a rotina de centenas de professores e gestores, provocando retrabalho, insegurança, perda de dados e, sobretudo, comprometendo o registro e a transparência das atividades pedagógicas.

Vazamento de dados sensíveis agrava o cenário

Recentemente, o cenário de fragilidade ficou ainda mais evidente após o vazamento de dados sensíveis de alunos da educação especial da rede municipal. Informações confidenciais sobre crianças e adolescentes com necessidades específicas foram expostas, aumentando a preocupação da sociedade sobre a condução da tecnologia educacional e a segurança da informação sob responsabilidade do órgão técnico municipal.

Repercussão política: questionamento na Câmara Municipal
O caso, diante do agravamento da situação, já chegou ao Legislativo municipal. O vereador Professor Riverton levou o tema à tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande, cobrando explicações da Prefeitura sobre a condução do projeto, o prejuízo causado à comunidade escolar e, agora, os riscos à privacidade e segurança de dados sensíveis. O parlamentar destacou o desmonte da equipe técnica, os problemas recorrentes do sistema, o vazamento de dados sensíveis e a necessidade de garantir transparência em qualquer eventual contratação de empresas privadas para o setor.

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Motivação questionável: abrir caminho para contratos privados

A reportagem apurou que, diante do caos instaurado, há movimentação nos bastidores da administração municipal para contratar, sem licitação, empresas privadas para o fornecimento de novas soluções digitais, sob alegação de “inexigibilidade” – prática que dispensa o processo licitatório em casos supostamente de inviabilidade de competição. Chama atenção que tais contratações estejam sendo cogitadas sem sequer a realização de uma prova de conceito (PoC), etapa fundamental para atestar a qualidade técnica das soluções propostas e proteger o interesse público.
Esta postura reforça uma marca preocupante da atual administração: a adoção de medidas administrativas que beneficiam fornecedores privados em detrimento de soluções públicas e transparentes, abrindo brechas para judicialização e questionamentos dos órgãos de controle.

Conclusão: prejuízo ao erário e retrocesso à educação
A crise instalada no Diário Online das escolas municipais de Campo Grande é resultado direto de decisões políticas e administrativas irresponsáveis do gestor responsável pelo sistemas do órgão técnico responsável pela tecnologia na Prefeitura, que desmontou equipes técnicas, acelerou implantações sem planejamento, permitiu grave vazamento de dados sensíveis e agora cogita terceirizar o sistema sem licitação e sem garantias de qualidade. O resultado é prejuízo financeiro, pedagógico e institucional para toda a comunidade escolar – e um grave alerta para o futuro da tecnologia na gestão pública municipal.

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