falta de infraestrutura

Chuvas expõem abandono e causam prejuízos na periferia de Brasília

Avenida 26 de Setembro, em Vicente Pires, acumula lixo e buracos, em via sem asfaltamento - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

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Moradores de regiões periféricas do DF e do Entorno convivem com alagamentos, perdas materiais e medo; previsão indica mais chuva até sábado

As fortes chuvas que atingem o Distrito Federal nos últimos dias escancararam uma realidade antiga na periferia de Brasília: falta de infraestrutura, ruas sem asfalto e ausência de drenagem adequada. Em bairros como Vicente Pires, Sobradinho, Jardim Botânico, São Sebastião e também em Águas Lindas (GO), moradores contabilizam prejuízos enquanto tentam proteger casas, comércios e veículos da força da água.

Segundo dados da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), a precipitação média registrada em 42 estações foi de 36,6 mm. O Jardim Botânico concentrou o maior volume, com mais de 100 mm de chuva, seguido por São Sebastião, Sobradinho e Vicente Pires  regiões onde os impactos foram imediatos.

Na avenida 26 de Setembro, em Vicente Pires, a cena se repete a cada período chuvoso. Sem pavimentação, a via se transforma em um rio de lama, dificultando o acesso de moradores e clientes aos comércios locais. “Quando chove, aqui vira um rio. A gente perde cliente, perde o dia de trabalho”, lamenta o serralheiro Jonas Rodrigues, de 75 anos. Para a comerciante Claudilene Souza, a chuva significa prejuízo certo. “Ficamos desamparados. Falta energia, os clientes não conseguem chegar e a gente só assiste ao prejuízo”, desabafa.

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Morador da região há mais de 15 anos, o jovem Eric Feliciano conta que os alagamentos já deixaram pessoas ilhadas. “Teve um homem que precisou esperar um trator para tirar o carro da água. Ontem, entrou quase um riacho dentro de uma casa”, relata.

No Entorno do DF, em Águas Lindas, a situação é semelhante. No Setor 8, onde muitas ruas seguem sem asfalto, a água desce com força levando lixo, peças de carros e até placas de veículos. “Aqui é o ralo do setor inteiro. Todo ano é a mesma coisa”, afirma Sheila Mendes, de 39 anos, que já precisou amarrar o carro para evitar que fosse levado pela enxurrada.

Mesmo em áreas asfaltadas, como o Setor de Mansões Village, a falta de um sistema eficiente de escoamento faz com que a água invada residências. “Acordei com a água entrando em casa. Nunca tinha acontecido assim”, conta Fabiana Rodrigues, de 46 anos. O medo é constante. “Vizinhos já perderam carro e casa. A gente dorme apreensivo.”

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A situação é ainda mais dramática para quem perdeu tudo. Joana Darc Ferreira de Sousa, de 61 anos, teve parte da casa levada pela enxurrada no fim de novembro. “Cada chuva é um desespero. Tenho medo de perder o pouco que restou”, diz, emocionada. Moradora da região há três décadas, ela afirma que este tem sido o fim de ano mais difícil.

Além dos alagamentos, quedas de árvores também foram registradas. Em Sobradinho, um galho de grande porte atingiu dois veículos, sem deixar feridos. O Corpo de Bombeiros alerta para os riscos e orienta a população a não enfrentar enxurradas, evitar áreas de risco e acionar o telefone 193 em emergências.

A previsão do tempo indica continuidade das chuvas, com pancadas e trovoadas até sexta-feira. Somente no sábado o tempo deve apresentar melhora. Para quem vive na periferia de Brasília, no entanto, a expectativa vai além da previsão do tempo: é por políticas públicas, obras de drenagem e infraestrutura que impeçam que a chuva continue transformando o cotidiano em tragédia.

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