Operação Rodas da Sorte

Comprei rifa de Razuk: quem participou pode ficar no prejuízo? Entenda o que diz a lei

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Operação que prendeu os irmãos Eduardo e Rafael Razuk reacende dúvida entre participantes sobre possível devolução dos valores pagos nas rifas

A prisão dos influenciadores Eduardo Razuk e Rafael Razuk, durante a Operação Rodas da Sorte, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), levantou uma dúvida entre pessoas que participaram das rifas promovidas pelo grupo: quem comprou números e não recebeu o prêmio pode recuperar o dinheiro?

A resposta, neste momento, não é simples. Isso porque as chamadas rifas, quando realizadas de forma irregular por pessoas físicas, não são reconhecidas pela legislação brasileira como modalidade legal de sorteio.

A operação foi deflagrada na terça-feira (18) e investiga um esquema envolvendo rifas de veículos de luxo, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de jogos de azar.

Durante a ação, a Justiça determinou o bloqueio de valores e bens que podem ultrapassar R$ 500 milhões. Entre os itens apreendidos estão veículos de luxo, terrenos e imóveis.

Quem comprou a rifa pode receber o dinheiro de volta?

A apreensão dos bens não significa, automaticamente, que os valores pagos pelos participantes serão devolvidos.

Isso porque os veículos e demais patrimônios apreendidos estão vinculados à investigação e permanecem à disposição da Justiça. Eventual utilização desses bens para ressarcimento dependerá das decisões tomadas no processo e da comprovação de responsabilidades.

Além disso, a situação de cada participante pode depender da existência ou não de elementos que demonstrem fraude, estelionato ou efetivo prejuízo.

Até o momento, conforme informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Civil não trabalha com a hipótese de que as rifas promovidas pelos irmãos Razuk tenham necessariamente vítimas ou indícios de fraude contra os participantes. A investigação busca esclarecer o funcionamento do esquema e a origem e movimentação dos valores.

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O que diz a legislação brasileira?

A legislação federal estabelece regras específicas para promoções e sorteios. A Lei nº 5.768/1971 disciplina a distribuição gratuita de prêmios e estabelece as condições para realização dessas atividades.

Na prática, rifas realizadas informalmente por pessoas físicas, mediante venda de números e promessa de prêmios, não possuem autorização legal simplesmente por serem divulgadas nas redes sociais.

Os sorteios autorizados dependem do cumprimento das exigências legais e regulamentares, inclusive de autorização do órgão competente, conforme o tipo de promoção.

Outro ponto importante é que a legislação não transforma automaticamente qualquer pessoa que tenha adquirido uma rifa irregular em credora dos organizadores. Para buscar eventual ressarcimento, o participante pode precisar demonstrar concretamente o prejuízo e a existência de uma conduta ilícita.

E se o participante pagou e não recebeu o prêmio?

Caso alguém tenha adquirido uma participação e não tenha recebido o prêmio prometido, a orientação é reunir comprovantes de pagamento, comprovantes da compra da rifa, conversas, anúncios, números adquiridos e demais registros da participação.

Esses documentos podem ser importantes para eventual medida judicial ou administrativa.

Entretanto, o simples fato de uma rifa ter sido alvo de uma operação policial não garante, por si só, a devolução dos valores pagos pelos participantes.

A situação pode mudar caso a investigação identifique fraude, estelionato ou outras irregularidades que tenham causado prejuízo direto aos consumidores.

Operação apreendeu carros de luxo

A Operação Rodas da Sorte mobilizou policiais para cumprir mandados contra integrantes do grupo investigado.

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Cerca de 18 veículos foram apreendidos, além de outros bens. Em um galpão localizado na Vila Morumbi, em Campo Grande, os policiais encontraram mais de 30 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões.

Entre os carros apreendidos estão uma BMW avaliada em mais de R$ 1 milhão e um Volkswagen Arteon avaliado em mais de R$ 900 mil. Uma Kombi também chamou atenção, com avaliação estimada em cerca de R$ 300 mil.

O irmão de Eduardo Razuk, Rafael, foi preso no bairro Vilas Boas. No local, foram apreendidos uma Ranger e um Mini Cooper.

A investigação também alcançou influenciadores de outros estados e apura a possível utilização das rifas em um esquema envolvendo lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de jogos de azar.

O que o participante deve fazer agora?

Quem comprou rifas e teme perder o dinheiro deve guardar toda a documentação relacionada à participação e acompanhar o andamento da investigação.

Também é recomendável procurar orientação jurídica individual antes de ingressar com qualquer medida, já que a possibilidade de ressarcimento dependerá das circunstâncias de cada caso e das conclusões da investigação e da Justiça.

Por enquanto, portanto, não é possível afirmar que todos os participantes serão ressarcidos — nem que necessariamente ficarão no prejuízo. A definição dependerá do que for comprovado no decorrer da investigação e das decisões judiciais sobre os valores e bens bloqueados.

Importante: a existência da investigação e das prisões não significa condenação dos investigados. Eles têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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