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Investigado por suposto rombo de R$ 35 milhões, médico fica em silêncio durante CPI da Saúde em MT

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Luiz Gustavo Castilho Ivoglo se recusou a responder aos 60 questionamentos feitos pelo presidente da comissão e é investigado na Operação Espelho

O médico e empresário Luiz Gustavo Castilho Ivoglo permaneceu em silêncio durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), realizado nesta quarta-feira (19).

Convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos investigados na Operação Espelho, Ivoglo se recusou a responder aos 60 questionamentos apresentados pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD).

Antes de comparecer à comissão, o médico havia recorrido à Justiça na tentativa de evitar o depoimento. Ele ingressou com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas não obteve decisão que o dispensasse da convocação.

Durante a sessão, Wilson Santos afirmou que a CPI havia disponibilizado aos advogados dos convocados todos os documentos solicitados. Segundo o parlamentar, decisões judiciais anteriores haviam concedido habeas corpus a investigados que alegavam não ter acesso integral aos autos, situação que, segundo ele, foi posteriormente solucionada pela comissão.

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Operação Espelho

Ivoglo é proprietário da LB Serviços Médicos Ltda., atualmente denominada LGI Médicos, empresa investigada na Operação Espelho. A apuração levantou suspeitas de irregularidades em contratos para prestação de serviços médicos firmados com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Parte das contratações ocorreu por meio de dispensas de licitação, justificadas pelo caráter emergencial dos serviços durante o período da pandemia de Covid-19.

De acordo com as investigações, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 35 milhões. O Ministério Público de Mato Grosso denunciou Ivoglo e outros 21 investigados por suspeitas de peculato, organização criminosa e fraude em licitação.

Na ação penal, também foi solicitado o pagamento de R$ 57,5 milhões a título de reparação de danos ao erário, além de medidas para o sequestro de aproximadamente R$ 35 milhões em bens dos investigados.

Empresa segue prestando serviços

Mesmo com as investigações, a LGI Médicos continua responsável por serviços especializados de anestesiologia, cirurgia geral, ortopedia e ginecologia no Hospital Municipal Arlete Daisy Cichetti de Brito, em Tangará da Serra.

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Em fevereiro de 2026, a Prefeitura de Tangará da Serra firmou o termo aditivo nº 00034/ADM/2026, prorrogando por mais 12 meses o contrato com a empresa, anteriormente denominada L.B. Serviços Médicos.

Com a prorrogação e os reajustes previstos, o valor total repactuado chegou a R$ 16,44 milhões, com vigência até março de 2027.

Outros investigados

Além de Luiz Gustavo Castilho Ivoglo, a Operação Espelho também alcançou os médicos Osmar Gabriel Chemin e Alberto Pires de Almeida, além das empresas Bone Medicina Especializada, Curat Serviços Médicos Especializados e Medtrauma Serviços Médicos Especializados.

A investigação, inicialmente conduzida pela Justiça Estadual, posteriormente passou à Justiça Federal após a identificação de recursos de origem federal envolvidos nos contratos.

As acusações ainda são objeto de processo judicial e não representam condenação definitiva. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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