O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal há cerca de três semanas, e afirmou que a ação teria sido conduzida de forma a gerar exposição negativa aos políticos investigados. Entre os principais alvos estão o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União), além de aliados e familiares.
Para Abilio, a operação poderia ter sido realizada sem a exposição pública dos investigados. Segundo o prefeito, o objetivo principal das buscas seria a apreensão dos passaportes e, por isso, não haveria necessidade de uma ação ostensiva nas residências.
“Pode ter ação da polícia no governo do Estado, no governo federal, em qualquer um pode ter uma operação da polícia e em qualquer tempo, desde que haja uma plausibilidade para que isso possa acontecer. O que é a nossa crítica principal? É transformar isso em espetáculo”, afirmou.
Na avaliação do prefeito, a forma como a operação foi realizada teria contribuído para criar uma imagem negativa dos alvos. Abilio questionou ainda a necessidade de agentes comparecerem às residências se a finalidade era apenas recolher os documentos.
“Foram lá na casa do cara para pegar um passaporte? Só para fazer mídia que foi na casa do cara”, disse.
O prefeito também afirmou que, durante a operação, não teriam sido apreendidos equipamentos como celulares ou computadores dos investigados, reforçando sua crítica à estratégia adotada pela Polícia Federal.
“Fez mídia, fez vídeo, postou na internet ‘a polícia está lá na casa do cara’. Saiu com o que? Não pegou o celular do cara, não pegou o computador do cara. Aí é uma crítica a esse posicionamento”, declarou.
Crítica não é contra investigação, diz prefeito
Abilio ressaltou que não é contrário à atuação da Polícia Federal ou à realização de investigações contra agentes públicos. Segundo ele, o problema estaria na utilização de operações policiais de maneira seletiva para interferir no cenário eleitoral.
“Acredito que o que ele [Medeiros] queria dizer é que essa condução do processo supostamente investigativo é para tumultuar o processo eleitoral. Ou seja, se você tem a intenção de investigar, investigue”, afirmou.
A declaração faz referência à proposta apresentada recentemente pelo deputado federal José Medeiros (PL), que chegou a defender um projeto para impedir operações policiais contra candidatos nos seis meses anteriores às eleições. A ideia provocou reação negativa e o parlamentar recuou da proposta.
Na avaliação de Abilio, Medeiros teria se equivocado na forma de apresentar sua crítica. O prefeito defendeu que investigações continuem ocorrendo durante o período eleitoral, mas afirmou ser necessário evitar ações que possam ser utilizadas como instrumento de publicidade negativa contra candidatos.
“O que eu sou contra é transformar seletivamente uma operação ou outra em um ato apenas de publicidade eleitoral ou de publicidade negativa do processo”, concluiu.
A Operação Heritage colocou novamente no centro do debate político de Mato Grosso a atuação de órgãos de investigação durante o período que antecede as eleições. Para os críticos, operações realizadas nesse contexto precisam preservar a investigação sem permitir que medidas judiciais sejam transformadas em instrumentos de disputa política. Por outro lado, cabe às autoridades responsáveis pela investigação definir as medidas necessárias para o cumprimento das decisões judiciais e para a coleta de provas.






















