O médico e então diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande (Funesp), Sandro Trindade Benites, deixou o cargo nesta segunda-feira (9) após vir à tona uma denúncia de violência psicológica contra uma mulher de 43 anos, que resultou em boletim de ocorrência e na concessão de uma medida protetiva de urgência.
A exoneração foi confirmada pela Prefeitura de Campo Grande por meio de nota oficial, que informou que o próprio ex-vereador solicitou a saída do cargo para “esclarecer fatos de caráter pessoal”. A decisão ocorre em meio à repercussão do caso, que envolve acusações graves de humilhações, ameaças e controle emocional dentro de um relacionamento que, segundo a vítima, durou cerca de seis anos.
De acordo com o relato registrado pela mulher, o episódio mais recente ocorreu no domingo (8), quando Benites teria ido até a residência dela, um dia após retornar de viagem à Europa. O ex-diretor teria entrado na casa utilizando uma chave que possuía, enquanto a mulher dormia, e iniciado uma discussão marcada por insultos e acusações.
Segundo o boletim de ocorrência e relatos de pessoas próximas à vítima, Benites teria acusado a mulher de estar com “outro namorado” e passado cerca de duas horas proferindo ofensas, chamando-a de “inútil” e “imprestável”.
Ainda conforme as informações, o estopim para o conflito teria sido a viagem do então diretor-presidente da Funesp ao exterior. A mulher teria descoberto que a viagem, que segundo ele seria para um encontro de amigos do grupo Legendários em Dubai, na verdade teria sido realizada ao lado dos filhos e da atual esposa. Benites teria afirmado à companheira que seu casamento era apenas “de fachada” por motivos políticos.
Após descobrir a situação, a mulher teria enviado uma mensagem encerrando o relacionamento. Pouco tempo depois, acabou exonerada do cargo que ocupava como assessora na Câmara Municipal de Campo Grande.
De acordo com pessoas próximas à vítima, a perda do emprego também teria sido usada por Benites como forma de ataque durante a discussão. Ele teria dito que ela “não conseguiu segurar o emprego na Câmara” e que teria sido demitida por ser “imprestável”.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam ainda que esta não teria sido a primeira ameaça. Em uma discussão no final de 2024, Benites teria dito à mulher que, caso ela não parasse de confrontá-lo, ele “daria um tiro na sua cabeça”.
Críticas e questionamentos
O caso provocou indignação e levantou questionamentos sobre a permanência de autoridades em cargos públicos enquanto respondem a denúncias graves, especialmente em situações que envolvem violência contra a mulher.
Especialistas em políticas públicas e direitos das mulheres apontam que a exoneração somente após a repercussão pública do caso revela um padrão recorrente na política brasileira: a reação institucional costuma ocorrer apenas quando a pressão social aumenta.
Outro ponto que chama atenção é a relação entre poder político e vulnerabilidade das vítimas. Quando denúncias envolvem figuras públicas com influência política, muitas mulheres enfrentam medo, pressão e até consequências profissionais como demissões ou isolamento ao denunciar episódios de violência.























