O projeto que autoriza o Governo do Distrito Federal a utilizar imóveis públicos para socorrer o Banco de Brasília (BRB) reacendeu o debate político na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A proposta prevê o uso de áreas valorizadas e bens estratégicos do patrimônio público entre eles o Centrad como forma de garantir a capitalização do banco.
O tema retorna ao plenário em um contexto delicado. Parte dos deputados que agora irão analisar o novo pedido do Executivo são os mesmos que, em momento anterior, autorizaram o Banco de Brasília a avançar na tentativa de compra do Banco Master. A operação foi apresentada como estratégia de expansão e fortalecimento institucional, mas acabou não se concretizando. Ainda assim, os desdobramentos financeiros contribuíram para o cenário atual de necessidade de recomposição de capital.
À época, parlamentares da base governista defenderam a proposta como movimento ousado e promissor. Hoje, com a busca por garantias bilionárias e aporte sustentado por patrimônio público, cresce o questionamento sobre o custo político das decisões tomadas.
O presidente da Câmara, Wellington Luiz, afirmou recentemente que “não vamos discutir a origem do problema”, defendendo foco na solução. A declaração, no entanto, gerou críticas por sinalizar resistência em aprofundar a análise das decisões que levaram ao impasse. Para opositores, resolver sem discutir causas enfraquece a transparência e dilui responsabilidades.
O novo projeto encaminhado pelo Governo do Distrito Federal abre a possibilidade de utilização de imóveis públicos como garantia ou forma de aporte ao banco. Na prática, significa colocar ativos do Distrito Federal como mecanismo de sustentação financeira diante dos efeitos de decisões políticas anteriores.
Especialistas ouvidos por parlamentares da oposição apontam que o uso de patrimônio público para cobrir riscos de gestão exige debate técnico aprofundado e transparência total sobre impactos futuros. Há preocupação quanto à eventual perda de ativos estratégicos ou à redução da capacidade de investimento em políticas públicas.
A tendência, contudo, é de aprovação. A base governista mantém maioria na Casa e não há, até o momento, indicativo de resistência significativa. Caso o projeto avance, o plenário repetirá um roteiro político: primeiro autorizou a expansão; agora, poderá autorizar a utilização de bens públicos para absorver as consequências.
O debate vai além da questão financeira. Trata-se de responsabilidade política. Em um cenário de bilhões envolvidos e patrimônio público em jogo, a sociedade do Distrito Federal acompanha para saber quem votou antes e quem votará agora. Os registros estão disponíveis e a cobrança também.
Deu no Diário de Ceilândia
























