PONTA DO ICBERG

Manifestantes ocupam a Praça do Buriti e intensificam pressão por investigação sobre negociações do BRB

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A Praça do Buriti se tornou, na tarde desta segunda-feira (24/11), palco de uma manifestação que expôs, com contundência, o crescente descrédito da população em relação às negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Dezenas de pessoas ocuparam o espaço a partir das 17h para exigir a abertura imediata de uma investigação parlamentar sobre o que representantes classificam como “um dos episódios mais obscuros da história recente do Distrito Federal”.

O ato, que reuniu trabalhadores da enfermagem, bancários, vigilantes, profissionais da educação e diversas lideranças sindicais e partidárias, exibiu cartazes denunciando o suposto uso político de uma instituição financeira pública. Para os manifestantes, há indícios de que o BRB vem sendo manipulado como instrumento de interesses privados e partidários — algo que, segundo eles, precisa ser desvendado com transparência e rigor.

“Conseguimos apenas seis assinaturas, quando são necessárias 13 para instalar a comissão investigativa. Isso mostra o tamanho da resistência política para impedir que a verdade venha à tona”, criticou um dos organizadores do protesto. Ele afirmou ter participado de reuniões com aliados para cobrar do Banco Central uma nova audiência e reforçar a necessidade de aprofundar as apurações já em andamento.

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Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), a troca no comando do BRB — anunciada na semana passada, com a nomeação de um ex-dirigente da Caixa Econômica Federal — não passa de uma manobra cosmética, incapaz de resolver o problema real. “Trocar o presidente não apaga o rastro de irregularidades. A sociedade exige respostas. Uma CPI é imprescindível para entender quem autorizou essa operação nebulosa e quais interesses estavam por trás dela”, afirmou um dirigente da entidade.

A pressão popular cresce em meio à repercussão da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo a emissão e venda de títulos de crédito sem respaldo legal. Para os manifestantes, a simples existência dessa operação já deveria ter mobilizado imediatamente o Legislativo distrital — mas, segundo eles, o que se vê é omissão e silêncio constrangedor.

O clima no Buriti era de indignação. Muitos dos presentes afirmaram que continuarão ocupando as ruas até que os parlamentares deixem de “proteger aliados” e cumpram sua função institucional. A sensação, segundo os organizadores, é de que a população precisa fazer o trabalho que os representantes eleitos se recusam a realizar.

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Com a crise institucional no BRB atingindo novas proporções e a falta de explicações oficiais aumentando a desconfiança, a pressão sobre o governo do Distrito Federal tende a crescer. Uma coisa ficou clara no protesto: os manifestantes não pretendem recuar — e a exigência por transparência está longe de ser silenciada.

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