A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a terceira fase da Operação Bypass, que investiga uma organização criminosa especializada em invadir o sistema informatizado do Detran-DF para realizar alterações ilegais em registros de veículos e condutores. Segundo as investigações, o grupo causava um prejuízo estimado em R$ 134 mil por dia aos cofres públicos.
A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) e teve como alvo os integrantes responsáveis pela captação de clientes, coordenação das demandas ilícitas e movimentação financeira da organização. Mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram cumpridos, além do bloqueio judicial de mais de R$ 12 milhões em contas bancárias e criptoativos ligados aos investigados.
Organização atuava como empresa clandestina
De acordo com a PCDF, o grupo possuía uma estrutura altamente organizada, dividida em setores específicos para execução das fraudes. Entre os serviços oferecidos estavam a exclusão de multas de trânsito, retirada de débitos veiculares e regularização irregular de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) suspensas ou cassadas.
Para atrair clientes, os criminosos utilizavam perfis em redes sociais com milhares de seguidores, onde anunciavam abertamente a possibilidade de “limpar” prontuários de motoristas e resolver pendências junto ao órgão de trânsito.
Investigação alcança diferentes níveis da quadrilha
A Operação Bypass foi desenvolvida em três etapas. Na primeira fase, a polícia concentrou esforços nos líderes e programadores responsáveis por criar um aplicativo capaz de identificar vulnerabilidades e acessar indevidamente os sistemas do Detran-DF.
Na segunda etapa, o foco recaiu sobre influenciadores digitais e operadores de redes sociais encarregados da divulgação dos serviços ilegais e da captação de clientes.
Já a terceira fase, deflagrada nesta semana, teve como objetivo atingir os intermediários que recrutavam interessados, organizavam as solicitações fraudulentas e administravam os recursos obtidos pelo esquema.
Ao longo das três fases da operação, nove pessoas foram presas.
Lavagem de dinheiro e empresas de fachada
As investigações apontam que os valores arrecadados com as fraudes eram submetidos a um complexo esquema de lavagem de dinheiro. Os recursos eram fragmentados em diversas transferências eletrônicas e circulavam por empresas de fachada para dificultar o rastreamento e ocultar sua origem criminosa.
Os investigados poderão responder por crimes de invasão de dispositivo informático, fraude eletrônica, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 32 anos de prisão.
Beneficiários também podem ser responsabilizados
A PCDF informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e rastrear os motoristas que contrataram os serviços ilegais. Segundo a corporação, os beneficiários das fraudes também poderão responder criminalmente, uma vez que participaram conscientemente da prática ilícita ao buscar vantagens indevidas junto ao sistema de trânsito do Distrito Federal.
A expectativa é que o aprofundamento das apurações revele a extensão completa do esquema e permita a responsabilização de todos os envolvidos, desde os desenvolvedores das invasões até os usuários finais que se beneficiaram das alterações fraudulentas.



















